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Nubank aposta em IA para levar consultor financeiro a todos

O Nubank já usa o nuFormer para conceder crédito e prepara o AI Private Banker, ferramenta que já é usada por mais de 15 milhões de clientes por mês.

A redação nullbotPublicado a 12 de setembro de 20264 min de leituraFontes (2)
Ecrã da aplicação do Nubank a mostrar a área do Pix
Nubank · Public domain · Wikimedia Commons

O Nu, banco digital líder na América Latina, detalhou a 11 de junho de 2026 a sua estratégia de inteligência artificial durante o Nu Videocast, com o diretor de tecnologia (CTO) Eric Young e o gerente geral de AI Core, Rohan Ramanath, segundo divulgou a própria empresa no seu site institucional. No centro da estratégia está o nuFormer, o modelo fundacional proprietário e autossupervisionado do Nu, e o AI Private Banker, um conjunto de funcionalidades que a fintech descreve como uma nova experiência de aconselhamento financeiro, e não apenas mais uma funcionalidade dentro da aplicação.

O nuFormer é, segundo a Finsiders Brasil, o modelo de IA responsável pelo programa de aumento de limite de crédito do Nubank no Brasil: a tecnologia ajuda a definir quais clientes podem receber um limite maior e em que valor. A sua precisão permite alargar o crédito com segurança a clientes que seriam excluídos por modelos menos granulares, impulsionando simultaneamente a inclusão financeira e o crescimento da receita. O modelo já é aplicado ao maior segmento de crédito do Nu no Brasil e está a expandir-se para empréstimos pessoais, além do México e da Colômbia.

Do teste a 15 milhões de utilizadores por mês

Batizado de «AI Private Banker», o sistema está a ser desenvolvido para compreender a situação financeira de cada cliente, organizar informação sobre rendimentos e despesas e sugerir decisões sobre crédito, investimentos e gestão de dívidas — um tipo de aconselhamento historicamente restrito a clientes de rendimento elevado. A iniciativa procura colmatar uma lacuna económica: o valor de uma melhor decisão financeira é maior para famílias de baixo e médio rendimento, uma população que historicamente teve acesso limitado a este tipo de orientação personalizada. Algumas funcionalidades já estão em fase de testes há pelo menos seis meses e são usadas por mais de 15 milhões de utilizadores ativos mensais; espera-se em breve uma versão consolidada do produto.

Modelos melhores não só reduzem as perdas. Permitem-nos alargar o crédito de forma segura e responsável a um maior número de pessoas. Isso é inclusão e rentabilidade em simultâneo.

Rohan Ramanath, General Manager de AI Core do Nu

Dados, talento e cultura: a base de uma década

A estratégia de IA do Nu apoia-se em três vantagens construídas ao longo de mais de dez anos. A primeira é os dados: uma base de 135 milhões de clientes, com uma taxa de atividade de 83% e elevada concentração de conta principal, dá à empresa uma visão completa e agregada do comportamento financeiro. A segunda é o talento: a aquisição da Hyperplane em 2024 trouxe investigadores de IA vindos da Google, da Meta, da Apple e da Microsoft, somando-se a reconhecimentos como o de Melhores Empresas de 2026 do LinkedIn no Brasil. A terceira é a cultura: todos os colaboradores têm acesso a ferramentas de IA, com utilização e impacto medidos em todas as áreas — um projeto de arquitetura de backend, por exemplo, foi acelerado em quase um ano com desenvolvimento assistido por IA.

  • 135 milhões de clientes, com 83% de taxa de atividade
  • Mais de 15 milhões de utilizadores mensais já usam funcionalidades do AI Private Banker
  • Receita média por cliente ativo: cerca de 16 dólares, contra 40 dólares em bancos tradicionais
  • Aquisição da Hyperplane em 2024 trouxe investigadores de IA da Google, Meta, Apple e Microsoft

Segundo a Finsiders Brasil, os responsáveis afirmam que a IA está a tornar-se numa camada estratégica em todo o modelo operacional do Nubank, desde a engenharia de software e a prevenção de fraudes até à concessão de crédito e ao desenvolvimento de produtos. A receita média por cliente ativo do Nu foi de aproximadamente 16 dólares no primeiro trimestre de 2026, contra cerca de 40 dólares em bancos tradicionais — uma lacuna que a personalização por IA, a venda cruzada e o consultor financeiro pessoal automatizado procuram colmatar. Um relatório do Morgan Stanley descreveu o Nu como estando a aplicar à IA o mesmo manual que inaugurou a era da banca digital: avançar cedo, construir com convicção e usar a tecnologia para remodelar custos e experiência.

Preferimos definir os novos padrões a esperar e reagir. Esta mentalidade de desafiar — reinventar o status quo, remover a complexidade — é exatamente o que este momento exige.

Eric Young, Chief Technology Officer do Nu

Para uma empresa portuguesa que hoje compete com bancos digitais deste tipo por clientes de retalho financeiro, a mensagem é direta: a diferenciação pelo atendimento humano perde peso quando um concorrente já entrega, gratuitamente e em grande escala, uma camada de aconselhamento que 15 milhões de pessoas usam todos os meses. As empresas que dependem de parceiros de crédito ou de scoring externo terão de avaliar se os seus próprios modelos aguentam a mesma granularidade que o nuFormer já aplica a milhões de contas no Brasil, no México e na Colômbia — a decisão sobre onde investir em IA própria deixou de ser uma opção de médio prazo para se tornar uma urgência competitiva imediata.

Fontes

  1. CTO detalha estratégia de transformação com IANu International · 11 de junho de 2026
  2. Nubank prepara assistente financeiro com IA para clientesFinsiders Brasil · 11 de junho de 2026

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