Meta apresenta o pendente Muse Charm para levar o seu agente de IA além do telemóvel
No Meta Connect, Mark Zuckerberg mostrou o Muse Charm, um pequeno aparelho para falar com o Muse, o agente de IA da Meta, sem desbloquear o telemóvel, previsto para dezembro e ainda sem preço, ao lado de óculos de realidade virtual de 1299 dólares. Os investidores aplaudem; analistas e comerciantes duvidam da procura e do modelo de negócio.

O presidente executivo da Meta, Mark Zuckerberg, aproveitou na quarta-feira a conferência anual Connect para revelar um aparelho de bolso chamado Muse Charm, concebido para funcionar com o Muse, o agente pessoal de inteligência artificial que a Meta lançou recentemente, noticia a CNBC. Será possível falar com o dispositivo para interagir com o agente da Meta AI sem ter de desbloquear um telemóvel nem abrir uma aplicação, afirmou Zuckerberg.
O Muse é um agente de IA, ou seja, um assistente que não se limita a responder a perguntas, mas age em nome do utilizador: pode responder a e-mails, reservar viagens e fazer compras, segundo a CNBC. A aplicação chegou ao topo da App Store da Apple, à frente do ChatGPT, e Zuckerberg quer torná-la a peça central da estratégia de IA da Meta.
O que a Meta mostrou
Zuckerberg deu poucos pormenores sobre o que o Muse Charm vai fazer e não anunciou preço, noticia a CNBC. A Meta ainda tem de definir o material de acabamento e a disposição dos componentes, disse, com o objetivo de o pôr à venda a tempo das festas, em dezembro. Se não estiver a usar óculos, esta será de longe a forma mais rápida de falar com o seu Muse e de lhe mostrar o que se passa à sua volta, afirmou. O aparelho terá um sensor de impressões digitais que, quando ativado, permite falar com o agente.
- Muse Charm: um pendente para falar com o agente Muse, com sensor de impressões digitais; preço não anunciado; previsto para dezembro.
- Meta VR Glasses: mais finos e leves do que os headsets Quest, alimentados por um módulo externo com processador Qualcomm e bateria; 1299 dólares, à venda na primavera de 2027.
- Óculos inteligentes: o Muse chega aos óculos da Meta nos próximos meses, ativado ao dizer o nome do agente; a Meta promete mais de 100 estilos de óculos com IA até ao fim de 2026.
- Modelo de negócio: a Meta prevê cobrar uma pequena comissão sobre as transações feitas através do Muse.
Os Meta VR Glasses são o primeiro aparelho de realidade virtual da empresa desde o Quest 3S, de 299 dólares, lançado em 2024; seguem os olhos e as mãos para reduzir a necessidade de comandos, acrescenta a CNBC. O negócio de óculos inteligentes da Meta assenta numa parceria com a EssilorLuxottica, dona da Ray-Ban.
Porque é que a Meta quer hardware próprio
O pendente é a mais recente tentativa de Zuckerberg de acabar com a dependência da Meta face à Apple na distribuição, um ponto sensível desde que a Apple alterou a sua política de privacidade em 2021 e limitou a capacidade dos programadores de dirigir publicidade aos utilizadores, explica a CNBC. A Meta lançou ainda o aparelho uma semana antes da conferência DevDay da OpenAI, onde esta poderá mostrar o seu aguardado hardware, que seria uma coluna com a forma de um disco de hóquei.
Os investidores premiaram o impulso: as ações da Meta subiram 4,5% na quinta-feira e mais de 25% desde o anúncio do Muse, no início do mês, segundo a CNBC. Os analistas do Mizuho escreveram que o Connect consolidou o Muse como uma aplicação de referência, profundamente integrada na estratégia de hardware.
Um objeto na moda, uma procura por provar
O aparelho parece um cruzamento entre um porta-chaves Tamagotchi e um botão de alerta médico usado no corpo, escreve a CNBC. O TechCrunch vê uma lógica de moda: a geração Z já usa enfeites de mala, um mercado que uma consultora prevê ultrapassar mil milhões de dólares até 2030, e há jovens que usam Apple Watch antigos como porta-chaves. O Muse permite criar um avatar próprio, o que faz do agente uma expressão da personalidade. As reações são mistas, nota o TechCrunch, recordando aparelhos de IA que falharam, como o Ai Pin, o Rabbit e o pendente Friend.
Muitos especialistas não veem uma procura clara, dadas as capacidades dos smartphones, noticia a CNBC. Porque é que eu havia de andar com mais um aparelho? pergunta Anthony Ferry, presidente executivo da empresa de comércio eletrónico Wayvia; se ainda tem de tirar o telemóvel para concluir uma encomenda, é só mais uma coisa para carregar. Anshika Jain, analista da Counterpoint Research, vê utilizações como fazer perguntas, receber lembretes e planear em movimento. O TechCrunch acrescenta que o historial da Meta em matéria de privacidade, com acordos e acusações da Comissão Federal do Comércio norte-americana, pode pesar na confiança.
A questão de quem paga
Zuckerberg disse esperar que, com o tempo, a Meta ganhe dinheiro ao cobrar uma pequena comissão sobre as transações, mantendo o Muse gratuito para a maioria dos utilizadores, o que Ralph Schackart, analista da William Blair, classificou como um quadro de monetização claro, noticia a CNBC. Esse modelo depende dos comerciantes. A Amazon impediu o Muse de percorrer o seu site para fazer compras em nome dos clientes, tal como fez com a Perplexity, a OpenAI e a Google. As empresas têm de ver se isto faz realmente crescer o negócio, disse Ferry: se o mesmo cliente compra o mesmo produto por outro canal, isso não é automaticamente uma venda nova.
O que muda para as empresas
Para os comerciantes e empresas de serviços que vendem na internet, o Muse Charm é um sinal de que os agentes de IA se estão a tornar um canal de vendas com o seu próprio intermediário e a sua própria comissão. Antes de aceitar encomendas feitas pelo agente da Meta, convém medir se se trata de clientes novos ou de clientes que já existiam e chegam por um caminho mais caro, e decidir, como fez a Amazon, se querem de facto agentes a fazer compras no seu site.
Fontes
- Mark Zuckerberg debuts $1,299 Meta VR Glasses and Muse Charm pendantCNBC · 23 de setembro de 2026
- Meta hits market first with consumer AI device but strategy unprovenCNBC · 24 de setembro de 2026
- Meta's Muse Charm looks like a Tamagotchi, but it's tapping into a much newer trendTechCrunch · 24 de setembro de 2026



