Sony e Universal processam novamente a Suno por 60.202 gravações protegidas
Sony Music e Universal Music apresentaram em 18 de setembro de 2026 uma nova ação que acusa a Suno de copiar ao menos 60.202 gravações protegidas e contornar proteções do YouTube; a Suno diz que a v6 foi treinada do zero com outros dados.

Contexto da ação judicial renovada
Em 18 de setembro de 2026, a Sony Music e a Universal Music apresentaram uma nova queixa contra a plataforma de geração musical por IA Suno. O registro marca a continuação de uma disputa que começou com alegações anteriores sobre o uso de áudio protegido por direitos autorais nos dados de treinamento. A queixa faz referência explícita a um conjunto de supostas infrações que os grandes gravadoras alegam representar apenas uma fração do material que consideram em questão.
De acordo com a queixa, as duas gravadoras alegam que a Suno copiou ao menos 60 gravações que estão protegidas pela lei de direitos autorais. O número de 60 gravações é apresentado pelos autores como um subconjunto de um corpus maior que eles afirmam ter sido usado sem permissão. Nenhum número adicional é fornecido, e a queixa não divulga o tamanho total do conjunto de dados em questão.
Os grandes gravadoras também sustentam que a Suno contornou os mecanismos de proteção do YouTube ao empregar ferramentas de download. Em um contexto processual anterior, a Suno reconheceu que havia obtido dados de áudio do YouTube usando a ferramenta de código aberto yt‑dlp. Essa admissão faz parte da base da alegação de que a plataforma deliberadamente contornou salvaguardas técnicas para coletar material protegido por direitos autorais.
Argumentos técnicos em torno do modelo v6
Um ponto central da queixa diz respeito ao modelo mais recente da Suno, designado v6, que foi lançado em 9 de setembro de 2026. Os autores argumentam que o v6 continuou a se beneficiar do aprendizado derivado de modelos anteriores, especificamente por meio da agregação de dados de preferência dos usuários quando duas faixas eram apresentadas como alternativas. A queixa sugere que esse mecanismo permitiu que o modelo mais novo herdasse conhecimento que se originou do conjunto de dados contestado.
Em contraste, a Suno mantém que o v6 foi treinado do zero usando um conjunto distinto de fontes de dados. A empresa afirma que o conjunto de treinamento do v6 não contém nenhuma gravação de propriedade da Sony ou da Universal, rejeitando assim a alegação de que o novo modelo deriva valor do material contestado. Essa posição cria uma divergência factual que a litígio pendente deve resolver.
O desenvolvimento do v6 envolveu colaborações com outros detentores de direitos musicais, a saber, Warner Music, BMG e Believe. Esses parceiros participaram da criação do modelo e, segundo relatos, recebem uma parte da receita gerada a partir de seu uso. O envolvimento dessas entidades está documentado no anúncio de lançamento e demonstra que a Suno buscou relações licenciadas com alguns grandes players enquanto permanecia em disputa com outros.
Possíveis remédios e riscos financeiros
A queixa da Sony e da Universal busca tanto uma liminar para interromper a distribuição do v6 quanto indenizações pecuniárias. As indenizações solicitadas são quantificadas em até US$ 150.000 por obra supostamente infringida, conforme relatado pela mídia Next. Esse valor representa o montante máximo por obra que os autores alegam poder ser concedido, embora o prêmio real dependa da avaliação judicial de responsabilidade e danos.
O pedido de liminar reflete o desejo dos grandes gravadoras de impedir a exploração adicional do modelo contestado enquanto o caso está pendente. Uma liminar, se concedida, poderia impedir que a Suno ofereça o v6 aos usuários, impactando assim as fontes de receita da plataforma e suas parcerias com Warner Music, BMG e Believe.
A reivindicação financeira de US$ 150.000 por obra é apresentada na queixa como um teto potencial para danos. O cálculo real dos danos exigiria uma análise detalhada da suposta cópia, do impacto no mercado e de quaisquer danos estatutários aplicáveis sob a lei de direitos autorais. Nenhum valor definitivo foi adjudicado, e o número permanece uma alegação, não uma quantia determinada por tribunal.
Questões em aberto e limites probatórios
Uma questão não resolvida diz respeito à distinção entre futuros acordos de licenciamento e suposta responsabilidade por uso de dados passado. A queixa separa a questão de se a Suno poderia obter licenças para conteúdo futuro da alegação de que ela já é responsável por infrações passadas. Essa separação levanta questões jurídicas sobre a aplicação retroativa de obrigações de licenciamento.
Outra área de incerteza é a base probatória da alegação de que o v6 se beneficiou de modelos anteriores por meio de dados de preferência dos usuários. Os autores argumentam que o mecanismo de preferência constitui uma forma de transferência de conhecimento, porém a Suno sustenta que o modelo foi treinado novamente sem tais dados. A determinação factual de se os dados de preferência reintroduziram efetivamente material protegido por direitos autorais no processo de treinamento é central para o caso.
A admissão de que a Suno usou yt‑dlp para baixar áudio do YouTube estabelece um registro factual da aquisição de dados. Contudo, a importância jurídica dessa admissão depende de se o conteúdo baixado estava protegido, se o download constituiu violação dos termos de serviço do YouTube e se tal violação se traduz em infração de direitos autorais sob a lei aplicável.
- A queixa alega que ao menos 60 gravações protegidas por direitos autorais foram copiadas
- A alegação inclui suposto contorno das proteções do YouTube usando yt‑dlp
- Sony e Universal buscam uma liminar e indenizações de até US$ 150.000 por obra
- Suno afirma que o v6 foi treinado do zero sem gravações da Sony ou da Universal
A natureza pendente da litígio significa que ainda não há julgamento que resolva essas narrativas factuais concorrentes. Até que um tribunal emita uma decisão, as posições das partes permanecem afirmações sustentadas pelas evidências limitadas apresentadas na queixa e nas declarações anteriores da empresa.
Se o tribunal concluir que o modelo v6 da Suno incorporou gravações protegidas, a liminar e as indenizações solicitadas poderiam afetar materialmente as operações da plataforma e seus relacionamentos com parceiros licenciados. Por outro lado, um veredicto de que o v6 foi treinado de forma independente poderia reforçar a viabilidade de modelos de geração musical por IA que dependem de dados recém‑obtidos e colaborações licenciadas.
O contexto mais amplo da indústria sugere que o desfecho desse caso pode influenciar como geradores de música por IA negociam licenças com grandes gravadoras, como gerenciam a proveniência dos dados e como os tribunais interpretam o papel dos dados de preferência gerados pelos usuários no treinamento de modelos. O caso, portanto, situa‑se na interseção entre direito autoral, tecnologia e modelos de negócios emergentes no setor musical.
Fontes
- Suno veut faire la paix avec l’industrie musicale, Sony et Universal attaquent de nouveauNext · 21 de setembro de 2026
- Suno v6 AI music models launch in partnership with Warner Music, BMG, and BelieveMusic Business Worldwide · 9 de setembro de 2026



