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OpenAI perde a diretora de ética em plena fuga de quadros

Chloé Bakalar deixa a OpenAI depois de menos de um ano como responsável pela ética, numa vaga de saídas de quadros superiores antes da entrada em bolsa.

A redação nullbotPublicado a 16 de agosto de 20263 min de leituraFontes (2)
O Pioneer Building em São Francisco, sede da OpenAI.
HaeB · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

Chloé Bakalar, que liderava a ética da inteligência artificial na OpenAI, deixou a empresa depois de menos de um ano no cargo. A sua saída não é um caso isolado: junta-se a uma série de saídas nos escalões mais altos da empresa, que nas últimas semanas perdeu os responsáveis por produto, segurança, marketing, ciência e operações — precisamente quando a OpenAI se prepara para uma eventual entrada em bolsa.

Quem era Chloé Bakalar e o que fazia na OpenAI

Bakalar chegara à OpenAI em 2025, vinda da Meta, onde tinha ocupado o cargo de chefe de ética. Na empresa, o seu trabalho consistia em promover abordagens para o desenvolvimento e a implementação responsáveis dos sistemas de inteligência artificial. Investigava também temas relacionados com a interação entre humanos e sistemas de IA, bem como questões sobre a eventual consciência das máquinas, um campo ainda incipiente, mas cada vez mais discutido na indústria. A sua saída deixa, pelo menos temporariamente, um vazio na função que deveria marcar o rumo ético de uma das empresas mais influentes do setor tecnológico.

Uma lista de saídas que não pára de crescer

O caso de Bakalar tornou-se conhecido apenas um dia depois de Denise Dresser, diretora de receita (chief revenue officer) da OpenAI, ter anunciado que vai deixar a empresa. Dresser tinha-se juntado à companhia em dezembro, depois de ter sido diretora-geral da Slack, e comunicou a sua saída numa nota interna publicada no LinkedIn, na qual refere que partirá nas «próximas semanas» para «procurar outras oportunidades». O seu substituto será Dali Rajic, atualmente presidente e diretor de operações da empresa de cibersegurança Wiz.

A saída de Dresser ocorreu apenas dois dias depois de Brad Lightcap, responsável por projetos especiais e antigo diretor de operações da OpenAI, ter também anunciado a sua partida. Aliás, Dresser tinha absorvido parte das funções de Lightcap quando este passou para a área de projetos especiais. A esta lista juntam-se ainda a antiga diretora de AGI, Fidji Simo, e a antiga diretora de marketing, Kate Rouch, que também deixaram os seus cargos recentemente. Em conjunto, as saídas de Bakalar, Dresser, Lightcap, Simo e Rouch desenham uma fuga de quadros pouco habitual mesmo para uma indústria habituada a uma elevada rotação nos cargos de topo.

Ao comunicar a mudança na área de receita, a OpenAI tentou enquadrar as alterações como parte de uma transição para uma nova etapa da empresa: «Estamos num ponto de inflexão: a próxima geração de modelos vai mudar não só a forma como o trabalho é feito, mas também a forma como as empresas se constroem e funcionam», afirmou a companhia, explicando que Rajic «vai construir o sistema operativo de receita necessário para escalar nesta próxima fase».

A entrada em bolsa, em pano de fundo

As demissões surgem enquanto a OpenAI avança rumo a uma eventual oferta pública inicial. A empresa confirmou em junho ter apresentado, de forma confidencial, à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) os documentos S-1, o primeiro passo formal rumo a uma cotação em bolsa. A saída de Dresser, em particular, ocorre precisamente antes desse processo, numa altura em que a estabilidade da equipa de liderança costuma ser observada de perto por investidores, reguladores e parceiros comerciais da empresa.

Para as empresas e os profissionais portugueses que dependem do ChatGPT ou da API da OpenAI na sua operação diária — do apoio ao cliente ao desenvolvimento de software, passando pela geração de conteúdos —, esta vaga de saídas não muda de imediato o funcionamento dos produtos que já utilizam. Mas é um sinal que vale a pena acompanhar. A demissão da responsável pela ética da inteligência artificial, precisamente quando a empresa se aproxima da entrada em bolsa, levanta questões sobre a continuidade das políticas de desenvolvimento responsável que a OpenAI tem promovido publicamente, numa altura em que a companhia reorganiza também as suas áreas comercial e de produto. Nenhum destes movimentos implica, por si só, um risco imediato para os serviços já contratados, mas reforça a conveniência de as organizações portuguesas que assentam processos críticos em ferramentas da OpenAI manterem planos de contingência, evitarem depender de um único fornecedor de inteligência artificial e acompanharem de perto a evolução da governação interna da empresa nos meses que antecedem a oferta pública.

Fontes

  1. La directora de ética de OpenAI se va en plena fuga de ejecutivosExpansión · 14 de agosto de 2026
  2. OpenAI is losing its second executive this weekThe Verge · 13 de agosto de 2026

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