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Google assegura 3,6 gigawatts da Constellation para os seus centros de dados

A Google anunciou um acordo de compra de energia nuclear por 20 anos com a Constellation, que inclui um aumento de 890 megawatts a partir de reatores existentes, além de um contrato de fornecimento separado de até 2 700 megawatts.

A redação nullbotPublicado a 9 de outubro de 20265 min de leituraFontes (2)
A central nuclear Robert E. Ginna junto ao Lago Ontário.
ENERGY.GOV · Public domain · Wikimedia Commons

Google anunciou um acordo de compra de energia por vinte anos com a empresa Constellation Energy, destinado a fornecer eletricidade nuclear adicional para os centros de dados que operam serviços de inteligência artificial. Segundo as duas empresas, o plano deverá acrescentar 890 megawatts de capacidade até 2032. O projeto não inclui a construção de novos reatores, mas baseia‑se na atualização de onze reatores existentes distribuídos em seis locais em Illinois, Pensilvânia e Nova Jérsia. A Google afirma que o objetivo é garantir um fornecimento grande, estável e de baixas emissões para apoiar a expansão dos seus centros de dados, mantendo a execução dentro de instalações nucleares já operacionais em vez de aguardar novas centrais que poderiam demorar anos e exigir autorizações adicionais.

Atualização dos reatores em vez de construir novas centrais

A Constellation planeia investir mais de 4,3 mil milhões de dólares em sistemas de controlo digital, turbinas avançadas e geradores de vapor aprimorados. A empresa apresenta estes trabalhos como o caminho técnico para alcançar o aumento de 890 megawatts. Está previsto que o primeiro local atualizado comece a fornecer energia à Google em 2028, enquanto o aumento total previsto se estende até 2032. As fontes não fornecem uma verificação independente da capacidade adicional esperada nem do desempenho das unidades após a atualização, pelo que os números permanecem metas anunciadas pelas duas empresas e não resultados operacionais já alcançados. Além disso, o acordo limita a expansão nuclear à melhoria dos ativos existentes, não adicionando capacidade de novos reatores.

O acordo de vinte anos vem acompanhado de um contrato separado de quinze anos que permite à Google comprar até 2 700 megawatts da frota mais ampla da Constellation. A empresa não especificou a combinação de fontes de geração dentro deste segundo contrato, pelo que não se pode considerar que toda a quantidade seja energia nuclear. Ao combinar os dois contratos, o volume anunciado chega a cerca de 3 590 megawatts, ou aproximadamente 3,6 gigawatts, dos quais as atualizações nucleares representam cerca de 890 megawatts. Os anúncios não revelam o preço por megawatt‑hora nem o custo total, nem estabelecem uma data clara para a entrega da totalidade dos 2 700 megawatts. Estes limites são importantes para que o número de 3,6 gigawatts não se transforme numa alegação de que toda a energia provém dos reatores.

Energia e computação num único acordo

A parceria inclui ainda um contrato de cinco anos no qual a Constellation utiliza os serviços do Google Cloud e as ferramentas Gemini Enterprise para gerir períodos de parada e melhorar a operação dos geradores. Esta parte torna a relação recíproca: a Google compra a eletricidade e, em troca, a empresa de energia adquire ferramentas de computação e inteligência artificial. Contudo, as fontes não fornecem indicadores de desempenho que comprovem a magnitude da melhoria esperada com estas ferramentas, nem afirmam que um sistema automatizado substituirá decisões de segurança humanas. O que é anunciado é a utilização das tecnologias de nuvem e Gemini para ajudar a gerir interrupções e otimizar a operação, enquanto os resultados reais da aplicação permanecem desconhecidos no momento da assinatura do acordo.

As unidades nucleares visadas encontram‑se na rede PJM Interconnection, que serve cerca de 67 milhões de clientes em treze estados. A rede tem registado um aumento da procura associada aos centros de dados, o que coloca pressão sobre a produção e as linhas de transmissão nos períodos de pico. As duas empresas vinculam o acordo ao debate sobre uma base proposta conhecida como “trazer a própria fonte de energia”, que poderia obrigar os grandes clientes de centros de dados a garantir eletricidade durante os períodos de tensão. Os anúncios não esclarecem quanto o acordo alterará os preços da PJM ou a sua fiabilidade, nem medem o impacto final nas emissões. Por isso, não se pode afirmar que o contrato, por si só, resolve o problema de pressão na rede ou impede o aumento dos preços.

Corrida das empresas de tecnologia pela energia nuclear

A medida da Google insere‑se numa tendência mais ampla entre as empresas de tecnologia que procuram eletricidade estável para os seus centros de dados. A AWS obteve 690 megawatts da central Calvert Cliffs, e a Microsoft acordou com a Constellation em 2024 a reativação do reator Three Mile Island. A CNBC referiu que a Google também assinou um contrato com a NextEra Energy para reativar uma central nuclear em Iowa. Estas comparações mostram que a procura impulsionada pela inteligência artificial leva as empresas a firmarem acordos de longo prazo com produtores de energia, mas não significam que todos os projectos sejam idênticos em termos de risco, cronogramas ou preços. Cada acordo depende de uma central, de uma rede e de arranjos de financiamento diferentes.

Os contratos de longo prazo dão ao produtor de energia um grau de certeza sobre as receitas e concedem à empresa de tecnologia uma visão mais clara da quantidade de eletricidade disponível. Contudo, a certeza contratual não equivale a uma entrega imediata de energia. A primeira unidade atualizada deverá iniciar em 2028, e o objetivo total de aumento nuclear estende‑se até 2032, enquanto não há data publicada para a entrega da totalidade dos 2 700 megawatts do contrato. Além disso, a proporção de energia nuclear, a gás ou outra dentro deste contrato não foi divulgada. Por isso, as empresas que monitorizam o acordo devem separar os números confirmados nos textos contratuais das estimativas operacionais que ainda não foram testadas.

  • 890 megawatts de aumento nuclear visado através da atualização de reatores existentes
  • Mais de 4,3 mil milhões de dólares de investimento anunciado nas atualizações
  • 2 700 megawatts num contrato de fornecimento separado com mistura não especificada
  • Cerca de 3,6 gigawatts de capacidade total associada aos dois contratos

Para as empresas que planeiam uma grande infraestrutura de IA, o acordo revela que o cálculo do custo da computação já não se limita à compra de processadores e servidores. É necessário incluir a disponibilidade de eletricidade, a estabilidade da rede, a duração dos contratos e a fonte de geração na decisão de investimento. O anúncio de uma capacidade total também não basta para avaliar o impacto ambiental ou financeiro: os preços, a composição dos 2 700 megawatts e os efeitos na rede e nas emissões ainda não foram divulgados. O que mudou agora é que a Google e a Constellation estabeleceram um quadro temporal e de investimento claro para uma parte nuclear de 890 megawatts, enquanto o restante da capacidade e as suas condições detalhadas ainda exigem acompanhamento independente à medida que as entregas começam.

Fontes

  1. جوجل توقع صفقة طاقة نووية مع Constellation لمدة 20 عاماعالم التقنية · 8 de outubro de 2026
  2. Google enters massive 3.6-GW power deal with Constellation EnergyCNBC · 6 de outubro de 2026

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