EAU reformulam centro de dados de IA de 5 GW após ataques do Irão
Os Emirados Árabes Unidos estão a reformular discretamente o seu campus de IA junto a Abu Dhabi, transformando-o numa rede de locais mais pequenos e reforçados, depois de ataques iranianos com drones e mísseis terem danificado centros de dados no Golfo, avança a Reuters.

Os Emirados Árabes Unidos estão a rever o plano do seu projeto de centro de dados de IA de 5 gigawatts junto a Abu Dhabi, um dos maiores do mundo fora dos Estados Unidos, depois de a guerra entre o Irão e Israel ter levado as autoridades a repensar como e onde construir infraestruturas críticas, avançou a Reuters a 11 de setembro, citando seis pessoas a par do processo. Aquilo que estava inicialmente previsto como um único campus de 26 quilómetros quadrados deverá tornar-se numa rede de centros de dados distribuídos pelos Emirados, segundo quatro das fontes, que falaram sob anonimato. O meio tecnológico TheNextWeb, citando o mesmo relato da Reuters, descreveu a mudança como a divisão de um projeto de 30 mil milhões de dólares em partes mais pequenas e mais difíceis de visar.
O projeto, conhecido como Stargate UAE, é o braço emiradense da parceria Stargate entre a OpenAI, a Oracle e a SoftBank, e é liderado pela G42, empresa de IA de Abu Dhabi controlada pelo xeque Tahnoun bin Zayed al Nahyan, conselheiro de segurança nacional dos Emirados. A construção da primeira fase, um cluster de computação de 30 mil milhões de dólares e 1 gigawatt, começou no ano passado, prevendo-se que os primeiros 200 megawatts entrem em funcionamento em 2026, assente em cerca de 100 mil chips Grace Blackwell GB300 da Nvidia. A G42 disse à Reuters que o trabalho no campus de IA "decorria conforme planeado" e que os pormenores do projeto estão "sujeitos a revisão contínua, em linha com as normas de segurança, resiliência e operacionais esperadas de uma infraestrutura crítica desta dimensão". A OpenAI afirmou estar a "fazer bons progressos nas prioridades de infraestrutura e adoção" necessárias para concretizar a sua visão para os Emirados. A Nvidia, a Oracle, a Cisco, a SoftBank e o ministério emiradense da tecnologia avançada não responderam aos pedidos de comentário da Reuters.
O Irão apontou o local como alvo
As autoridades emiradenses começaram a rever os seus planos de infraestrutura de IA depois de o Irão ter começado a disparar mísseis e drones contra estados do Golfo que acolhem forças norte-americanas, em retaliação a ataques dos EUA e de Israel contra o Irão, segundo as fontes da Reuters. Dois centros de dados da Amazon Web Services nos Emirados, além de um no Bahrein, ficaram danificados em ataques em março; os serviços de nuvem da AWS na região continuavam com perturbações à data do relato. Em abril, as forças armadas iranianas divulgaram um vídeo a apontar o Stargate UAE como potencial alvo, com um mapa que, segundo duas pessoas confirmaram à Reuters, localizava corretamente o local junto à Base Aérea de Al Dhafra, que acolhe tropas norte-americanas e já foi alvo durante o conflito, iniciado em fevereiro.
A reformulação em análise vai além da engenharia habitual de centros de dados. Segundo as fontes da Reuters, as autoridades ponderam enterrar algumas instalações e alojar as cargas mais sensíveis — incluindo dados militares — no interior das cadeias montanhosas dos emirados de Ras al-Khaimah e Fujairah, as únicas zonas com relevo adequado num país maioritariamente plano e desértico. Outras medidas incluem sistemas de defesa aérea capazes de intercetar ou interferir com drones e mísseis, betão resistente a explosões e sistemas redundantes de energia e arrefecimento de reserva. A TheNextWeb notou que dividir um cluster à escala de um gigawatt por vários locais tem um custo técnico real, uma vez que os grandes treinos de IA exigem que os chips estejam fisicamente próximos, e que nem o tempo adicional de construção nem o custo extra de proteger os locais foram divulgados.
- Conceção original: um único campus de 26 km² junto a Abu Dhabi
- Abordagem revista: uma rede distribuída de locais mais pequenos e reforçados pelos Emirados
- Primeira fase: um cluster de 30 mil milhões de dólares e 1 gigawatt, com 200 megawatts previstos para 2026
- Objetivo final do projeto: 5 gigawatts de capacidade de computação de IA
- Danos já sofridos: dois centros de dados da AWS nos Emirados e um no Bahrein, atingidos em março de 2026
Um padrão regional que ultrapassa um único campus
Para operadores de infraestrutura de IA fora do Golfo, o episódio ilustra de forma concreta um risco até agora discutido sobretudo em abstrato: concentrar a computação de IA num único local, muito visível, transforma-o num alvo em tempo de guerra, e não apenas num desafio de engenharia e arrefecimento. Daniel Benaim, investigador do Middle East Institute e antigo subsecretário adjunto de Estado dos EUA para a Península Arábica, disse à Reuters que o conflito foi um "terramoto económico" para estados do Golfo que se apresentavam como portos seguros para capitais, prevendo que "todos os países da região vão analisar o que podem fazer" para reforçar locais semelhantes. Esta dificuldade surge quando os Emirados também trabalham para preservar o acesso aos chips mais avançados da Nvidia, um privilégio concedido ao abrigo de um acordo com os EUA em troca de limitar as suas ligações de IA à China — o que significa que qualquer atraso ou derrapagem de custos no Stargate UAE poria à prova não só a G42 e os seus parceiros, mas também a aposta mais ampla de que os estados do Golfo podem albergar a infraestrutura de IA mais avançada, e agora mais exposta, do mundo.
Fontes
- Exclusive-UAE revises AI data center plan after Iranian attacks, sources sayReuters (via Al-Monitor) · 11 de setembro de 2026
- The UAE is splitting up its $30bn AI data centre after Iran named it as a targetTheNextWeb · 11 de setembro de 2026



