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a16z capta US$ 1,1 bilhão para seu primeiro fundo de hardware de IA

A Andreessen Horowitz fechou US$ 1,1 bilhão para o Machine Age Fund, seu primeiro veículo dedicado à infraestrutura física da IA — chips, memória, redes, data centers e robótica — enquanto a cadeia de suprimentos de hardware não consegue acompanhar a demanda.

A redação nullbotPublicado em 29 de agosto de 20264 min de leituraFontes (2)
Racks de servidores dentro de uma sala de data center
NOIRLab/NSF/AURA/T. Slovinský · CC BY 4.0 · Wikimedia Commons

A Andreessen Horowitz (a16z) captou US$ 1,1 bilhão para o Machine Age Fund, o primeiro veículo de investimento da gestora de venture capital criado especificamente para a infraestrutura física sobre a qual a inteligência artificial roda. O fundo foi revelado em um post no próprio site da a16z em 28 de agosto de 2026, e noticiado no mesmo dia pelo TechCrunch. Ele vai financiar empresas que constroem chips, memória, equipamentos de rede, armazenamento, data centers, robótica e aparelhos domésticos com IA — uma guinada notável para uma gestora historicamente associada a apostas no poder de escala do software, não do hardware.

No anúncio, a a16z afirma que é «hora de acelerar e agilizar a construção física da IA», que chama de «a ferramenta mais poderosa já desenvolvida para resolver problemas e gerar abundância» e descreve como «nosso imperativo social e nacional». A gestora diz que o fundo cobre toda a pilha de hardware de IA, «de data centers a robótica e eletrodomésticos com IA», e argumenta que cada camada dessa pilha «está esbarrando no limite da capacidade atual da cadeia de suprimentos, e nos limites da física e da computação». A a16z chama o momento de «oportunidade única em uma geração» para reconstruir essa pilha como plataformas, «até a eletricidade».

Uma cadeia de suprimentos que não acompanha a demanda

O argumento central da a16z é um descompasso entre dois ritmos de crescimento. Segundo a gestora, o lado da oferta da indústria de hardware «está acostumado a crescer no máximo de 20% a 30% ao ano» — muito aquém do «crescimento de três dígitos necessário para alcançar a demanda» por capacidade de computação de IA. A a16z compara o momento a mudanças de plataforma anteriores, do mainframe ao cliente-servidor, depois à internet, à nuvem e ao mobile — mas argumenta que a escala e a velocidade da mudança exigida agora não têm precedente real: «tudo precisa de atualização, agora», escreveu a gestora.

  • A densidade de computação por rack de servidores cresceu 28 vezes, de um rack baseado no chip H100 da Nvidia para um da geração Rubin, segundo a a16z.
  • A rede dentro do rack «está esbarrando nos limites do cabeamento de cobre», já que os dados precisam se mover mais rápido entre os chips.
  • O consumo de energia por rack subiu de cerca de 5-10 kW para 100-250 kW hoje, e a a16z espera que chegue a 1 MW dentro de três anos.
  • Os campi de data centers estão passando de dezenas de megawatts para centenas de megawatts, e em alguns casos para escala de gigawatt.
  • O fornecimento de energia está deixando de depender só da rede elétrica, migrando para geração cativa e «atrás do medidor».

A a16z afirma que os fundadores já estão reagindo a essa lacuna. O fluxo de negócios em hardware na gestora cresceu de uma pequena fatia do seu pipeline total para mais de 20% nos últimos anos, segundo o anúncio — prova, na visão da gestora, de que os empreendedores enxergam cada vez mais o hardware, não só o software, como a restrição a ser resolvida. O Machine Age Fund vai mirar empresas em estágio inicial e de crescimento em toda essa pilha, e a a16z disse que sua estrutura de go-to-market, talentos e marketing, construída ao longo de mais de uma década investindo em software, está «agora pronta para atender fundadores de hardware».

Investidores de hardware com histórico em hardware

O fundo é liderado pelos general partners Martin Casado e Raghu Raghuram, que passaram anos em software de sistemas de data center antes de migrar para venture capital. A a16z diz que a experiência em hardware permeia toda a equipe: o sócio Guido Appenzeller foi CTO do Data Center Group da Intel, e outros sócios lideraram negócios de infraestrutura de IA que vão de silício e redes a sistemas de computação em grande escala, ou comandam a prática American Dynamism da gestora, focada em hardware e manufatura nos Estados Unidos.

A a16z não é totalmente nova em apostas de hardware: liderou a rodada Série A da Skydio em 2016, investiu cedo na SpaceX, escreveu seu primeiro cheque para a Anduril em 2019, e foi uma das primeiras investidoras de venture capital na rodada da Waymo em 2020. Mais recentemente, apoiou startups de hardware como Unconventional AI, Nexthop, Volta, Atoms, Heron Power e Mind Robotics. O TechCrunch, que cobriu o fundo no mesmo dia, descreveu o movimento como uma quebra do «foco habitual da gestora no poder de escala do software» e o chamou de primeiro veículo da a16z totalmente dedicado à infraestrutura de hardware.

Para as empresas que constroem a camada física da IA — fabricantes de chips, fornecedores de memória, especialistas em rede e refrigeração, construtores de robótica —, o Machine Age Fund é um sinal de que o capital de risco em grande escala agora persegue abertamente os gargalos de hardware, em vez de tratá-los como problema de terceiros. O Brasil vem atraindo novos data centers graças à energia renovável abundante e a incentivos fiscais estaduais; o apelo explícito da a16z por investimento em «refrigeração, materiais, elétrica e infraestrutura imobiliária» é um indício de que esses projetos podem agora disputar capital com investidores que, até pouco tempo, olhavam quase só para software.

Fontes

  1. The Machine Age FundAndreessen Horowitz (a16z) · 28 de agosto de 2026
  2. a16z creates a $1.1B 'Machine Age' fund to 'accelerate the physical buildout of AI'TechCrunch · 28 de agosto de 2026

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