Google exige que apps Android reduzam o uso de memória
Diante da escassez global de chips de memória alimentada pelo boom dos data centers de IA, o Google impõe novos limites de desempenho a partir de fevereiro de 2027, com menos visibilidade na Google Play para quem não cumprir.

O Google anunciou nesta semana dois novos requisitos de qualidade para aplicativos e jogos Android, em resposta à escassez mundial de chips de memória provocada pelo boom dos data centers de inteligência artificial. Segundo o TechCrunch, que noticiou o caso em 27 de agosto, um desses requisitos foca em reduzir o consumo de memória dos aplicativos e otimizar seu código. A empresa explica que a indústria de dispositivos móveis enfrenta 'restrições significativas no fornecimento de hardware que estão alterando a disponibilidade de memória nos dispositivos', situação que pode acabar afetando a experiência do usuário final. O veículo taiwanês TechNews confirmou o anúncio separadamente em 28 de agosto, detalhando que a mudança será aplicada primeiro por meio do Android 17 e das regras da Google Play.
O que o Google exige, na prática
Os novos limites de desempenho abrangem o uso dinâmico de memória e o uso de bitmaps, além de novos requisitos de otimização de código voltados a evitar lentidão e travamentos nos aplicativos. Segundo o veículo sul-coreano AI Times, que também confirmou o anúncio, os desenvolvedores precisarão reduzir o tamanho do código DEX de seus apps em pelo menos 25%. Para ajudar, o Google vai disponibilizar novas ferramentas que alertam as equipes de desenvolvimento quando seus aplicativos ultrapassarem os novos limites, e planeja lançar ainda este ano ferramentas de diagnóstico adicionais, incluindo um recurso chamado 'Memory Limiter', que impedirá que um app consuma mais memória do que deveria no dispositivo. Os desenvolvedores têm até fevereiro de 2027 para se adequar a esses limites, documentados no site para desenvolvedores Android.
As consequências de não cumprir
O descumprimento não é apenas uma questão técnica. Segundo a AI Times, os aplicativos que ultrapassarem os limites de memória enfrentarão 'redução na exposição em buscas e recomendações ou restrições na capacidade de publicação' na Google Play, e a TechNews acrescenta que o Google pode chegar a limitar a capacidade dos desenvolvedores de publicar ou atualizar seus apps. Em tempo de execução, o próprio sistema operacional poderá desacelerar ou encerrar aplicativos que ultrapassem os limites definidos, podendo até forçar o encerramento de outros apps rodando em segundo plano caso um único aplicativo consuma recursos demais do sistema. Segundo a AI Times, as regras serão implementadas progressivamente em dispositivos com configurações de RAM que vão de 4 GB a mais de 16 GB, afetando principalmente aparelhos de entrada e intermediários, onde a margem de memória disponível é mais estreita.
- Os novos limites de uso dinâmico de memória e de bitmaps entram em vigor a partir do Android 17.
- O código DEX dos aplicativos deverá ser reduzido em pelo menos 25%, segundo a AI Times.
- Prazo para atender aos novos limites de desempenho: fevereiro de 2027.
- Além disso, todo app com login deverá oferecer 'Zero Tap Sign-In' — restauração automática da sessão ao trocar de celular, via API Restore Credentials do Android — até abril de 2027.
- O descumprimento pode reduzir a visibilidade de um app nas buscas e recomendações da Google Play, ou restringir sua publicação.
Por que agora
O Google apresenta a mudança como resposta direta a um mercado em que a memória 'pode não estar tão disponível' quanto antes, principalmente para dispositivos de entrada, nos quais o preço do componente é um fator decisivo. A empresa não detalha mais a origem da escassez, mas a situa explicitamente no contexto das 'restrições de fornecimento de hardware' que a indústria enfrenta: a construção acelerada de data centers para treinar e executar modelos de inteligência artificial disparou a demanda global por chips de memória, componente que os fabricantes de celulares também precisam para seus próprios aparelhos. A TechNews lembra que, quando um único app consome recursos demais, o sistema pode ficar mais lento ou forçar o encerramento de outros aplicativos em segundo plano — um problema que se agrava justamente nos celulares mais baratos.
Para os desenvolvedores brasileiros de aplicativos Android — mercado em que celulares de entrada e intermediários representam parcela expressiva das vendas —, a nova regra do Google significa revisar quanto antes o consumo de memória de seus apps: ficar fora dos novos limites antes de fevereiro de 2027 pode significar menos visibilidade na Google Play, justo num mercado em que a descoberta orgânica segue sendo o principal canal de aquisição de usuários. A medida chega, ainda, num momento em que a demanda global por memória puxada pela inteligência artificial não dá sinais de arrefecer, sugerindo que essas restrições de hardware podem persistir — ou se intensificar — além do prazo definido pelo Google.
Fontes
- AI's memory crunch is coming for Android appsTechCrunch · 27 de agosto de 2026
- AI 搶記憶體產能,Google 要求 Android 應用程式降低占用系統資源TechNews 科技新報 · 28 de agosto de 2026
- 구글, 안드로이드 앱 메모리 절감 의무화…미준수 시 노출 제한AI타임스 (AI Times) · 28 de agosto de 2026



