Oracle eleva custo dos despedimentos para US$ 2,8 mil milhões
Um documento regulatório mostra que a Oracle vai gastar mais US$ 700 milhões em despedimentos, elevando o custo total do plano de reestruturação de 2026 para US$ 2,8 mil milhões, enquanto a empresa investe fortemente em centros de dados para IA.

A Oracle vai gastar mais US$ 700 milhões no seu plano de reestruturação, informou a empresa num documento regulatório apresentado na sexta-feira. Com o valor adicional, o custo total previsto para o programa no ano fiscal de 2026 sobe para cerca de US$ 2,8 mil milhões, face aos US$ 2,1 mil milhões destinados à reestruturação no ano fiscal anterior. Segundo a Oracle, parte da nova despesa está ligada à adoção de inteligência artificial em algumas funções internas da empresa, que reorganiza equipas ao mesmo tempo que tenta conter custos.
O preço da corrida pela infraestrutura de IA
O aumento dos gastos com despedimentos coincide com uma expansão sem precedentes da infraestrutura de nuvem da Oracle. A pressão por capacidade computacional aumentou depois de a empresa ter fechado mais de US$ 30 mil milhões em novos contratos de computação em nuvem ligados à IA só no primeiro trimestre fiscal, elevando a sua carteira total de contratos para US$ 664 mil milhões. A empresa estima que cerca de metade desse valor se deverá converter em vendas efetivas nos próximos 36 meses. Apesar da dimensão dos contratos, a Oracle afirma que a maioria não vai exigir grandes desembolsos adicionais de capital, porque parte dos acordos prevê pagamentos antecipados de clientes ou o fornecimento, pelo próprio cliente, do equipamento necessário à operação.
Segundo a Bloomberg, num documento enviado aos reguladores norte-americanos a Oracle chama ao programa "2026 Restructuring Plan". A maior parte do custo, hoje estimado em cerca de US$ 2,8 mil milhões, corresponde a indemnizações pagas a funcionários despedidos: US$ 2,1 mil milhões já tinham sido provisionados, e os US$ 700 milhões adicionais refletem, segundo a empresa, "medidas extra que se espera vir a adotar". A Oracle já vinha cortando milhares de postos de trabalho este ano para poupar caixa, e a Business Insider noticiou, em agosto, que a companhia planeava uma nova ronda de despedimentos — parte da pressão financeira criada pelos investimentos multimilionários em centros de dados de IA para clientes como a OpenAI.
Tesouraria apertada apesar da receita recorde
Os números também mostram o outro lado desta expansão. No primeiro trimestre fiscal, a receita da Oracle cresceu 30% face ao ano anterior, para US$ 19,3 mil milhões, superando as expectativas do mercado. Ainda assim, o fluxo de caixa livre foi negativo em US$ 5,4 mil milhões no período — um resultado pior do que o habitual para a empresa, embora mais moderado do que a queima de caixa de US$ 9,56 mil milhões prevista pelos analistas. Para sustentar a expansão, a Oracle disse que pretende angariar US$ 40 mil milhões em dívida e emissão de ações ao longo do atual ano fiscal; desse total, US$ 20 mil milhões já tinham sido angariados através de uma venda de ações no primeiro trimestre.
- US$ 2,8 mil milhões — custo total previsto do plano de reestruturação de 2026
- US$ 664 mil milhões — carteira de contratos de computação em nuvem da Oracle
- US$ 40 mil milhões — dívida e ações que a empresa planeia angariar este ano fiscal
- 21 mil — redução no número de funcionários da Oracle num ano
Em conferência com analistas, a diretora financeira da Oracle, Hilary Maxson, disse que "medidas de simplificação e eficiência" deverão ajudar a reduzir custos e preservar as margens da empresa. No final de maio, a Oracle tinha cerca de 49 mil funcionários nos Estados Unidos e 92 mil no estrangeiro — menos 21 mil do que um ano antes. O programa de cortes avança a par de movimentações na própria liderança da empresa: o presidente do conselho, Larry Ellison, que detém 40% das ações da Oracle, registou um novo plano para vender até 50 milhões de ações até 24 de outubro, um lote avaliado em cerca de US$ 8,75 mil milhões à cotação do final de junho.
O que muda para quem depende da Oracle Cloud
Para as empresas europeias que utilizam a Oracle Cloud Infrastructure (OCI) em cargas de trabalho de IA, o aperto financeiro do fornecedor é um sinal de atenção, não de alarme imediato: a receita recorde mostra que a procura por nuvem de IA continua forte, mas o fluxo de caixa negativo e as sucessivas rondas de despedimentos indicam que a Oracle está a financiar esta expansão no limite, com dívida crescente. Isto pode traduzir-se em ajustes de preços mais frequentes na OCI, equipas de suporte técnico mais reduzidas durante a transição, e prazos de implementação de novos centros de dados sujeitos a atrasos caso o acesso a capital fique mais caro. As empresas que apostam a sua infraestrutura de IA num único fornecedor global fariam bem em acompanhar de perto os próximos resultados trimestrais da companhia.
Fontes
- Oracle vai gastar mais R$ 3,7 bilhões com cortes de funcionáriosOlhar Digital · 11 de setembro de 2026
- 建 AI 資料中心太燒錢!甲骨文擬擴大裁員,重組成本增至 28 億美元TechNews 科技新報 · 12 de setembro de 2026



