Oracle eleva corte de custos a US$ 2,8 bi com data centers de IA
Documento regulatório mostra que a Oracle vai gastar mais US$ 700 milhões em demissões, elevando o custo total do plano de reestruturação de 2026 a US$ 2,8 bilhões, enquanto a empresa amplia gastos bilionários com infraestrutura de nuvem para IA.

A Oracle vai gastar mais US$ 700 milhões (cerca de R$ 3,7 bilhões) com seu plano de reestruturação, informou a empresa em documento regulatório apresentado nesta sexta-feira (11). Com o valor adicional, o custo total previsto para o programa no ano fiscal de 2026 sobe para aproximadamente US$ 2,8 bilhões (cerca de R$ 14,8 bilhões) — ante os US$ 2,1 bilhões (R$ 11,1 bilhões) destinados à reestruturação no ano fiscal anterior. Segundo a Oracle, parte das novas despesas está ligada à adoção de inteligência artificial em algumas funções internas da companhia, que reorganiza equipes ao mesmo tempo em que tenta conter custos.
O preço da corrida por infraestrutura de IA
O aumento dos gastos com desligamentos coincide com uma expansão sem precedentes da infraestrutura de nuvem da Oracle. A pressão por capacidade computacional cresceu depois que a empresa fechou mais de US$ 30 bilhões em novos contratos de computação em nuvem ligados a IA só no primeiro trimestre fiscal, levando sua carteira total de contratos a US$ 664 bilhões (cerca de R$ 3,5 trilhões). A companhia estima que cerca de metade desse valor deve se converter em vendas efetivas nos próximos 36 meses. Apesar do tamanho dos contratos, a Oracle afirma que a maior parte não vai exigir grandes desembolsos adicionais de capital, porque parte dos acordos prevê pagamentos antecipados de clientes ou o fornecimento, pelo próprio cliente, dos equipamentos necessários à operação.
Segundo a Bloomberg, em documento enviado aos reguladores americanos a Oracle batizou o programa de "2026 Restructuring Plan" — plano de reestruturação de 2026. A maior parte do custo, hoje estimado em cerca de US$ 2,8 bilhões, corresponde a indenizações pagas a funcionários demitidos: US$ 2,1 bilhões já haviam sido provisionados, e os US$ 700 milhões adicionais refletem, segundo a empresa, "medidas extras que devem ser adotadas". A Oracle já vinha cortando milhares de postos de trabalho neste ano para economizar caixa, e a Business Insider informou, em agosto, que a companhia planejava uma nova rodada de demissões — parte da pressão financeira criada pelos investimentos bilionários em data centers de IA para clientes como a OpenAI.
Caixa apertado apesar da receita recorde
Os números também mostram o outro lado dessa expansão. No primeiro trimestre fiscal, a receita da Oracle cresceu 30% na comparação anual, para US$ 19,3 bilhões (cerca de R$ 102,3 bilhões), superando as expectativas do mercado. Ainda assim, o fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 5,4 bilhões (R$ 28,6 bilhões) no período — um resultado pior do que o normal para a empresa, embora mais brando que a queima de caixa de US$ 9,56 bilhões projetada pelos analistas. Para sustentar a expansão, a Oracle informou que pretende captar US$ 40 bilhões (cerca de R$ 212 bilhões) em dívida e emissão de ações ao longo do ano fiscal atual; desse total, US$ 20 bilhões já haviam sido levantados por meio de uma venda de ações no primeiro trimestre.
- US$ 2,8 bilhões — custo total previsto do plano de reestruturação de 2026
- US$ 664 bilhões — carteira de contratos de computação em nuvem da Oracle
- US$ 40 bilhões — dívida e ações que a empresa planeja captar neste ano fiscal
- 21 mil — redução no quadro de funcionários da Oracle em um ano
Em teleconferência com analistas, a diretora financeira da Oracle, Hilary Maxson, disse que "medidas de simplificação e eficiência" devem ajudar a reduzir custos e preservar as margens da empresa. No fim de maio, a Oracle tinha cerca de 49 mil funcionários nos Estados Unidos e 92 mil no exterior — 21 mil a menos do que um ano antes. O programa de cortes avança em paralelo a movimentações do próprio comando da empresa: o presidente do conselho, Larry Ellison, que detém 40% das ações da Oracle, registrou um novo plano de venda de até 50 milhões de ações até 24 de outubro, lote avaliado em cerca de US$ 8,75 bilhões pela cotação do fim de junho.
O que isso muda para quem depende da Oracle Cloud
Para empresas brasileiras que usam a Oracle Cloud Infrastructure (OCI) em cargas de trabalho de IA, o aperto financeiro do fornecedor é um sinal de atenção, não de alarme imediato: a receita recorde mostra que a demanda por nuvem de IA continua forte, mas o caixa negativo e as sucessivas rodadas de corte de pessoal indicam que a Oracle está financiando essa expansão no limite, com dívida crescente. Isso pode significar reajustes de preços na OCI mais frequentes daqui para frente, times de suporte técnico mais enxutos durante a transição, e prazos de implantação de novos data centers sujeitos a atrasos caso o acesso a capital fique mais caro. Empresas que apostam a infraestrutura de IA em um único fornecedor global fariam bem em acompanhar de perto os próximos balanços trimestrais da companhia.
Fontes
- Oracle vai gastar mais R$ 3,7 bilhões com cortes de funcionáriosOlhar Digital · 11 de setembro de 2026
- 建 AI 資料中心太燒錢!甲骨文擬擴大裁員,重組成本增至 28 億美元TechNews 科技新報 · 12 de setembro de 2026



