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Gartner: despesas mundiais em IA atingem 2,7 biliões de dólares

As despesas globais em inteligência artificial vão atingir 2,7 biliões de dólares em 2026, crescendo 49,5% segundo a Gartner, impulsionadas por centros de dados.

A redação nullbotPublicado a 24 de setembro de 20264 min de leituraFontes (2)
Filas de servidores num centro de dados moderno
Carl Lender from Sunrise, USA · CC BY 2.0 · Wikimedia Commons

Os investimentos mundiais em inteligência artificial estão a registar uma mudança de escala sem precedentes no panorama tecnológico. De acordo com uma análise detalhada da consultora Gartner, as despesas totais em soluções e tecnologias de IA atingirão um montante global de 2,7 biliões de dólares (equivalente a 2 700 mil milhões de dólares) em 2026. Este volume financeiro representa um aumento expressivo de 49,5 por cento face aos valores registados no ano transato. Esta forte aceleração é impulsionada, em grande medida, pela expansão contínua da capacidade física dos centros de dados e da infraestrutura de computação avançada, a par da incorporação progressiva de capacidades de inteligência artificial nas aplicações e plataformas empresariais já existentes.

Estes indicadores de mercado refletem uma reorientação estratégica profunda na alocação dos orçamentos de tecnologias de informação. Enquanto os ciclos anteriores foram predominantemente marcados por fases de experimentação isolada e provas de conceito, o capital corporativo desloca-se agora para a construção de alicerces físicos robustos e para a integração operacional direta nos processos de negócio. A procura constante e crescente por capacidade de processamento intensivo continua a ditar o ritmo de evolução do mercado, mesmo perante o aumento continuado dos custos associados a componentes essenciais, como os circuitos de memória e os aceleradores computacionais.

A infraestrutura de centros de dados como motor das despesas de IA

No cômputo geral dos gastos, o segmento de hardware e infraestrutura de centros de dados assume a maior fatia do investimento. Apenas esta componente de infraestruturas representará quase 1,5 biliões de dólares em 2026, evidenciando uma subida substancial face aos mais de 980 mil milhões de dólares contabilizados em 2025. Com este desempenho, a infraestrutura física passa a concentrar mais de metade de todo o investimento global direcionado para a inteligência artificial. As projeções da Gartner indicam ainda que esta rubrica continuará a sua trajetória de expansão em 2027, aproximando-se de um volume de dois biliões de dólares. A aquisição intensiva de servidores otimizados para cargas de trabalho de inteligência artificial por parte de operadores de hiperescala e fornecedores especializados permanece como a principal rubrica de despesa.

A construção de capacidade de centros de dados de IA é o maior projeto de infraestruturas que a humanidade alguma vez empreendeu.

John-David Lovelock, analista da Gartner

Esta vaga sem precedentes de investimento em poder computacional cria um enquadramento comercial favorável para fornecedores especializados de infraestrutura e serviços em nuvem. Empresas como a Lambda, Crusoe, CoreWeave, Nebius, Core Scientific e a candidata a entrada em bolsa Nscale têm vindo a consolidar o seu posicionamento no ecossistema global, proporcionando acesso direto a clusters dedicados de computação de elevado desempenho, um recurso que se mantém escasso no mercado internacional.

  • Infraestrutura: cresce de mais de 980 mil milhões de dólares em 2025 para quase 1,5 biliões de dólares em 2026, com uma previsão de aproximação aos 2 biliões de dólares em 2027.
  • Software de IA: atinge em 2026 um valor total de mercado superior a 461 mil milhões de dólares, impulsionado por fortes crescimentos em agentes autónomos, assistentes inteligentes e modelos generativos.
  • Cibersegurança para IA: passa de quase 26 mil milhões de dólares em 2025 para mais de 51 mil milhões de dólares em 2026.
  • Serviços de IA: deverão sustentar um mercado potencial projetado em 1,2 biliões de dólares no horizonte de 2030.

O fosso da desilusão e a consolidação da IA integrada

Apesar do crescimento acentuado das despesas financeiras, a inteligência artificial generativa atravessa em 2026 a fase designada pela Gartner como 'Trough of Disillusionment' (o fosso da desilusão). As expectativas iniciais excessivamente otimistas estão a dar lugar a uma avaliação pragmática e rigorosa da criação efetiva de valor económico. Perante esta maturidade analítica, os fornecedores de software em todo o ecossistema tecnológico respondem através da inclusão direta de agentes de inteligência artificial e ferramentas generativas no interior dos seus pacotes de software consolidados. Esta estratégia visa assegurar a relevância das suas ofertas e mitigar o risco de concorrência por parte de novos agentes autónomos transversais.

As organizações clientes demonstram, por sua vez, uma clara preferência por estas funcionalidades nativas disponibilizadas pelos seus parceiros tecnológicos habituais. Em vez de avançarem para desenvolvimentos personalizados complexos e de elevado risco, as empresas concentram as suas iniciativas na melhoria da eficiência operacional, na automatização de fluxos de trabalho quotidianos, no aperfeiçoamento do contacto com os clientes e na melhoria dos processos de tomada de decisão, tirando partido dos ecossistemas de software em que já operam.

Reconfiguração dos serviços e gestão de riscos organizacionais

A adesão generalizada a ferramentas integradas tem consequências diretas no mercado dos serviços de consultoria e integração informática. John-David Lovelock observa que as empresas recorrem menos a prestadores externos para transformações empresariais globais e complexas. A procura orienta-se agora para projetos indiretos e de menor dimensão, focados na configuração, parametrização e rentabilização das capacidades de IA disponibilizadas nas plataformas em utilização. A Gartner antecipa que a combinação entre transformações estratégicas pontuais e estes projetos de integração suportará um mercado de serviços de 1,2 biliões de dólares até 2030.

Importa notar que a existência de riscos operacionais manifestos não tem travado o ritmo de adoção corporativa. Desafios como a dependência excessiva de fornecedores tecnológicos (vendor lock-in), as exigências de soberania dos dados e o risco de desvios orçamentais são reconhecidos pelas lideranças, mas não impedem as organizações de adotar e expandir o uso dos módulos proprietários fornecidos pelos seus parceiros de software.

Para o tecido empresarial e as organizações, esta dinâmica de mercado traduz-se numa alteração prática na gestão dos recursos tecnológicos e financeiros. Em vez de imobilizarem orçamentos vultuosos em projetos experimentais isolados, os decisores devem priorizar a ativação de módulos de inteligência artificial já integrados no seu portefólio de aplicações de negócio. Este movimento exige um acompanhamento rigoroso das condições contratuais e dos modelos de licenciamento, de forma a controlar custos e dependências, mantendo o foco exclusivo nos ganhos operacionais mensuráveis e sustentáveis.

Fontes

  1. Wereldwijde AI-uitgaven stijgen naar 2.700 miljardEmerce · 24 de setembro de 2026
  2. 2026 AI spend to hit $2.7trnElectronics Weekly · 18 de setembro de 2026

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