EY: a IA generativa não substitui os fiscalistas, transforma-os em "conceptores de processos"
Com a generalização da IA generativa na área fiscal, a EY afirma que a IA não substitui o talento, mas reposiciona-o como "conceptor de processos", com uma eficiência até cinco vezes superior e quatro competências-chave a desenvolver.

Com a rápida generalização da IA generativa e das ferramentas de automação, o trabalho fiscal — tradicionalmente muito dependente da pesquisa regulamentar, da organização de documentos e das declarações — enfrenta uma transformação estrutural, e a dúvida sobre se os fiscalistas serão substituídos pela IA agita o setor. Perante esta preocupação, a EY (Ernst & Young) explica que a IA não substitui talentos, mas reposiciona os profissionais fiscais como "conceptores de processos", acelerando a sua transição para atividades de maior valor acrescentado, como a análise estratégica de negócio e a consultoria a clientes.
Para liderar esta transformação e acelerar a requalificação das suas equipas, o departamento fiscal da EY lançou, desde 2025, o programa de transformação digital "Future Tax", que integra a IA no trabalho diário e estabelece um sistema de inovação "ascendente": os colaboradores da linha da frente são incentivados a propor ideias de aplicação de IA para otimizar processos, posteriormente desenvolvidas por uma equipa dedicada até à implementação.
Uma eficiência até cinco vezes superior
Este modelo de colaboração entre pessoas e IA já mostrou resultados concretos, com uma eficiência multiplicada entre 1 e 5 vezes consoante a tarefa. A EY cita como exemplo a "análise da estrutura de um grupo cliente": anteriormente, um colaborador demorava mais de 5 horas a consultar manualmente as informações accionistas em cada nível e a desenhar os organogramas à mão. Com a colaboração da IA, esta realiza rapidamente a recolha de dados e um primeiro rascunho do gráfico, enquanto o colaborador se concentra na verificação lógica e na exatidão — reduzindo o tempo total de trabalho para apenas 1 hora.
O tempo total de trabalho caiu drasticamente para 1 hora, o que aumenta consideravelmente a eficiência sem comprometer a qualidade do resultado. A IA não substitui o talento fiscal, redefine o seu valor: as empresas vão precisar de profissionais que combinem juízo profissional, visão de negócio e domínio tecnológico.
Quatro competências-chave a desenvolver
Segundo Lin Zhixiang, na era da IA os profissionais fiscais têm de desenvolver quatro competências-chave através da colaboração com a IA. A primeira: libertar-se das tarefas repetitivas. Os recém-chegados à área fiscal costumavam gastar enorme quantidade de tempo a recolher regulamentação e a compilar documentos; agora, com a IA a tratar dessas tarefas básicas, os talentos mais jovens podem dedicar energia à investigação setorial, à análise de planeamento fiscal e à comunicação com clientes, acedendo mais cedo a projetos centrais e acelerando o seu crescimento profissional.
A segunda: evoluir de "executante" para "conceptor de processos". A mudança trazida pela IA não se limita à eficiência, redefine papéis organizacionais, explica Lin Zhixiang: os talentos do futuro terão de não só executar tarefas, mas também identificar problemas, otimizar processos e usar a tecnologia para melhorar a forma de trabalhar, tornando-se motores de mudança em vez de meros executantes.
A terceira: desenvolver em paralelo experiência profissional e competências digitais. Com a IA generativa já generalizada, o conhecimento profissional por si só já não basta para responder às exigências do mercado: quem domina ferramentas digitais, sabe decompor problemas, pensa de forma crítica e aprende entre disciplinas terá maior potencial de desenvolvimento.
A quarta: transformar o tempo poupado numa relação de confiança insubstituível. O tempo que a IA poupa deve, no final, beneficiar o cliente, refere Lin Zhixiang: os profissionais podem visitá-lo com mais frequência e participar em discussões operacionais, elevando a consultoria fiscal de uma resposta passiva a perguntas para um alerta proativo antecipado. Essa relação de confiança, que não pode ser automatizada, é o ativo mais central dos serviços profissionais.
A competitividade mede-se pela capacidade de desenvolver talento, não pelo número de pessoas
A EY observa que as gerações mais jovens valorizam cada vez mais a velocidade de progressão, as oportunidades de aprendizagem e o impacto pessoal no trabalho. Segundo a empresa, na era da IA a competitividade de uma empresa já não se mede pela quantidade de talento que possui, mas pela sua capacidade de o fazer crescer continuamente: a transformação digital não é apenas adotar novas ferramentas, mas redesenhar o modelo de desenvolvimento de talento. Graças à colaboração aprofundada entre a IA e a experiência profissional, o trabalho fiscal conseguiu inverter a imagem externa de uma profissão repetitiva e estática. O órgão taiwanês CnYes (鉅亨網) publicou no mesmo dia uma reportagem que corrobora estas informações, citando também Lin Zhixiang e confirmando o caso da "análise da estrutura de um grupo cliente" que baixou de 5 para 1 hora, além do ganho de eficiência entre 1 e 5 vezes obtido pela colaboração entre pessoas e IA.
Para os escritórios de auditoria e consultoria em Portugal, a transformação descrita pela EY em Taiwan antecipa uma tendência que já avança localmente, com a IA generativa a ganhar terreno na consultoria fiscal e na revisão de contas. Para os jovens profissionais que entram no setor, a mensagem não é de ameaça ao emprego, mas de reposicionamento antecipado: quem desenvolver cedo o domínio das ferramentas digitais e a visão de negócio descrita pela EY será o primeiro a aceder a trabalhos de maior valor acrescentado, em vez de ficar limitado às tarefas que a IA já executa mais depressa.
Fontes
- 稅務工作會被 AI 取代嗎?安永揭密新世代「流程設計師」四大生存法則TechNews 科技新報 · 3 de setembro de 2026
- 畫股權圖從5小時縮至1小時!安永成功導入AI協作「解鎖」稅務人才4大優勢鉅亨網 (CnYes) · 3 de setembro de 2026



