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Lucro da Nvidia dobra para US$ 59,7 bi, prevê alta de 70%

O lucro líquido da Nvidia mais que dobrou no segundo trimestre fiscal, para US$ 59,7 bilhões, impulsionado pela demanda por chips de inteligência artificial, e a empresa prevê crescimento de 70% no próximo ano.

A redação nullbotPublicado em 27 de agosto de 20265 min de leituraFontes (4)
A placa da Nvidia na entrada do campus da sede da empresa, em Santa Clara, na Califórnia
Will Buckner · CC BY 2.0 · Wikimedia Commons

A Nvidia divulgou resultados do segundo trimestre fiscal que superaram amplamente as expectativas de Wall Street, com lucro líquido mais que dobrando na comparação anual, impulsionado pela demanda ininterrupta por chips de inteligência artificial. Segundo o relatório da própria empresa para o trimestre encerrado em 26 de julho de 2026, divulgado em 26 de agosto de 2026, o lucro líquido pelas normas GAAP chegou a US$ 59,7 bilhões, alta de 126% sobre os US$ 26,4 bilhões de um ano antes, enquanto a receita cresceu 106%, para US$ 96,22 bilhões — acima dos US$ 92,165 bilhões esperados pelos analistas, segundo dados compilados pela LSEG e citados pela CNBC.

O lucro por ação diluído subiu 128%, para US$ 2,46, e a margem bruta ficou em 75,0%, alta de 2,6 pontos percentuais em relação a um ano antes, segundo a Nvidia. Em termos ajustados (não GAAP), o lucro líquido somou US$ 53,95 bilhões, alta de 118%, com lucro por ação ajustado de US$ 2,22 — também acima do consenso de US$ 2,10 citado pela CNBC. As ações da Nvidia caíram levemente logo após a divulgação, mas reverteram e subiram mais de 4% assim que começou a teleconferência com analistas.

Uma previsão de crescimento de 70% limitada pela oferta, não pela demanda

A maior surpresa veio da projeção. A diretora financeira, Colette Kress, disse aos investidores na teleconferência que a Nvidia espera crescimento de receita de 70% no ano fiscal de 2028 em relação a 2027 — muito acima do crescimento médio de cerca de 44% a 45% esperado pelos analistas, segundo a cobertura da CNBC sobre a chamada. É a primeira vez que a Nvidia dá uma projeção com um ano inteiro de antecedência, o que Kress e o executivo-chefe Jensen Huang atribuíram à visibilidade que a empresa já tem sobre os pedidos do próximo ano.

Mas Huang deixou claro que a projeção reflete o que a Nvidia consegue fornecer, não o que os clientes estão pedindo. “Nossa demanda é muito maior que 70%”, disse ele na teleconferência. “Nossa capacidade de fornecimento nos permite entregar 70% com confiança, e vamos continuar trabalhando com nossa cadeia de suprimentos para aumentar isso.” A principal restrição, segundo Kress, é a memória: os preços dos chips de memória que acompanham as GPUs da Nvidia estão subindo no mundo todo com a expansão geral da IA, e ela espera que continuem subindo ao longo do ano fiscal de 2028 — uma dinâmica que, segundo a CNBC, já impulsionou as ações da fabricante de memória Micron.

Se a Nvidia atingir essa meta de 70% e o consenso dos analistas de cerca de US$ 396 bilhões em receita para o ano fiscal de 2027 se confirmar, as vendas chegariam a cerca de US$ 673 bilhões no ano fiscal de 2028. Com base nas projeções de receita de Wall Street para outras grandes empresas de tecnologia dos EUA, a CNBC informou que isso colocaria a Nvidia à frente da Apple e da Alphabet, e atrás apenas da Amazon, entre as empresas de tecnologia americanas por receita — uma guinada notável para uma empresa que a CNBC descreveu como “uma fabricante de chips bastante de nicho” antes do boom da IA.

De um único laboratório a uma “era de ouro” de compradores de IA

Os investidores vinham demonstrando uma preocupação recorrente: a de que o crescimento da Nvidia dependesse de um punhado de gigantes de nuvem construindo data centers voltados, em grande parte, a poucos laboratórios de IA de ponta. Huang argumentou que essa dependência está diminuindo. “No ano passado, nessa mesma época, um único laboratório impulsionava praticamente toda a construção; hoje, vivemos uma era de ouro, com novos laboratórios e startups de IA, vários laboratórios de ponta crescendo em paralelo, um ecossistema de modelos abertos pujante e a IA física chegando”, disse ele no comunicado de resultados.

Os números do trimestre ilustram essa mudança. O segmento de Data Center da Nvidia, o maior deles, gerou US$ 89,0 bilhões em receita, alta de 117% na comparação anual, dividido em duas categorias, além de um segmento menor de Edge Computing:

  • As vendas “hyperscale” — para grandes provedores de nuvem pública e gigantes de internet de consumo como Amazon, Microsoft, Meta e Alphabet — dobraram, para US$ 48,7 bilhões; Kress disse que a carteira de pedidos da indústria de nuvem já ultrapassa US$ 2 trilhões.
  • As vendas de “AI Clouds, Industrial & Enterprise” (ACIE) — de empresas regionais de IA, “neoclouds”, startups, governos soberanos e empresas — cresceram 138%, para US$ 40,3 bilhões, categoria que Huang descreveu como “praticamente invisível” até pouco tempo atrás.
  • O segmento Edge Computing, que abrange PCs, robótica e chips automotivos, somou US$ 7,2 bilhões, alta de 27%.

US$ 530 bilhões em compromissos, e a questão do “financiamento circular”

Junto com os resultados, a Nvidia revelou cerca de US$ 530,5 bilhões em compromissos financeiros ligados à sua cadeia de suprimentos e às apostas em infraestrutura de IA, um salto em relação aos US$ 366 bilhões do trimestre anterior. Isso inclui US$ 279 bilhões destinados majoritariamente à compra de memória, e US$ 105 bilhões para ajudar a financiar um projeto de data center em Ohio, no qual a OpenAI será inquilina por um contrato de 20 anos. Kress respondeu diretamente às críticas sobre esse arranjo: “Sabemos que alguns vão chamar isso de financiamento circular. Nós vemos de outra forma”, disse ela, defendendo que os investimentos se justificam pela força da demanda e pelo ecossistema que constroem em torno da plataforma da Nvidia.

Separadamente, a Nvidia e a Amazon Web Services anunciaram a ampliação de sua parceria: a AWS vai implantar dois milhões de GPUs Nvidia adicionais em sua infraestrutura nos anos fiscais de 2027 e 2028, além das CPUs Vera da Nvidia e de sua pilha de software de IA física para robótica de armazéns. Para o terceiro trimestre em curso, a Nvidia projetou receita de US$ 108,0 bilhões, com margem de mais ou menos 2%, número que assume receita zero na China com computação para data centers.

Para empresas brasileiras que constroem seus serviços de nuvem, softwares ou produtos de inteligência artificial em cima de chips da Nvidia — muitas vezes por meio de provedores de nuvem globais —, o resultado confirma que os investimentos em infraestrutura de IA não estão desacelerando. Mas também é um lembrete de como essa cadeia de suprimentos segue concentrada em um único fornecedor: a própria Nvidia cita a escassez de memória como limite para sua capacidade de entrega, e prevê leve queda na margem bruta no próximo trimestre — um sinal de que empresas brasileiras dependentes de suas GPUs podem enfrentar prazos mais longos ou custos mais altos, mesmo com a demanda em alta.

Fontes

  1. Nvidia wows Wall Street with a strong quarter, eye-popping sales forecastCNBC · 26 de agosto de 2026
  2. Nvidia 70% growth forecast puts it on track to be tech No. 2 companyCNBC · 26 de agosto de 2026
  3. NVIDIA Announces Financial Results for Second Quarter Fiscal 2027NVIDIA Newsroom · 26 de agosto de 2026
  4. Nvidia net income more than doubles to $59.7bn as revenue climbs 106%Verdict · 26 de agosto de 2026

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