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Cúpula Trump-Xi: Trump quer deixar a IA como está, Xi pede controle humano

Na Casa Branca, em 24 de setembro, Donald Trump disse que quer deixar a superinteligência exatamente onde está, enquanto Xi Jinping afirmou que a IA deve ficar sempre sob controle humano. A reunião de 90 minutos não gerou nenhum acordo visível sobre IA, apenas uma distância entre duas abordagens.

A redação nullbotPublicado em 25 de setembro de 20264 min de leituraFontes (2)
Donald Trump aperta a mão de Xi Jinping no aeroporto internacional de Gimhae, na Coreia do Sul, em outubro de 2025
The White House · Public domain · Wikimedia Commons

A inteligência artificial estava na pauta da visita de Estado de Xi Jinping a Washington, a primeira em mais de uma década, mas os dois líderes saíram com mensagens diferentes em vez de um acordo. Donald Trump sinalizou que não quer novas regras para frear a tecnologia, enquanto o presidente chinês insistiu que a IA deve continuar sob controle humano, relatam o The Guardian e o jornal sul-coreano Electronic Times (ETNews).

Antes da reunião, na manhã de quinta-feira, Trump escreveu na Truth Social que a superinteligência, termo que ele acaba de cunhar para a IA, seria um grande tema de conversa, mas que queria deixá-la exatamente onde está, acrescentando que essa também era a posição da China, segundo o The Guardian. O ETNews informa que ele acrescentou que o Departamento de Justiça era a salvaguarda, o que o jornal interpreta como preferência pelo arcabouço legal existente em vez de novas regras de segurança.

Duas declarações com poucas horas de diferença

Na cerimônia de boas-vindas, Trump disse que os dois países discutiriam segurança, tecnologia e superinteligência durante a visita, e que as decisões tomadas nessa área poderiam promover paz e prosperidade por décadas, relata o ETNews. Horas depois da postagem de Trump dizendo que a China compartilhava sua posição, Xi colocou a ênfase em outro ponto em seu discurso público.

China e Estados Unidos são duas potências da IA, com capacidade e responsabilidade para desenvolver e regular bem a tecnologia, disse Xi, segundo o ETNews. Os dois países devem garantir que o desenvolvimento da IA esteja sempre sob controle humano, acrescentou, conforme citado pelo The Guardian. O The New York Times, citado pelo ETNews, avaliou que a fala expressou uma posição mais clara sobre os desafios da tecnologia do que as declarações de Trump.

  • Trump: deixar a superinteligência exatamente onde está; o Departamento de Justiça é a salvaguarda.
  • Xi: o desenvolvimento da IA deve estar sempre sob controle humano; os dois países devem desenvolvê-la e regulá-la bem.
  • Resultado: nenhum acordo anunciado sobre IA após uma reunião a portas fechadas de cerca de 90 minutos.
  • Comércio: a trégua da guerra comercial foi prorrogada até 10 de janeiro.

Posições coerentes com declarações anteriores

A distância corresponde ao que cada líder já havia dito, observa o ETNews. Trump apresenta a IA como o centro da corrida tecnológica com a China e insiste que a regulação não pode frear as empresas americanas. Em 14 de setembro, chamou de farsa a ideia de que a IA dominaria o mundo e destruiria a humanidade, rejeitou os pedidos do setor para desacelerar e falou de uma conspiração nojenta contra a IA e os data centers que só a China comemoraria. Na ONU, descreveu a regulação internacional da IA como uma manobra.

Xi, por sua vez, impulsiona a indústria chinesa de IA enquanto fala abertamente da necessidade de salvaguardas. Na Conferência Mundial de Inteligência Artificial de Xangai, em julho de 2026, ele disse que os riscos secundários da IA devem ser levados a sério e que a IA deve se tornar segura e controlável, lembra o ETNews.

Uma cúpula criticada pela falta de conteúdo

O The Guardian descreve uma visita carregada de simbolismo. Nada indica que a reunião a portas fechadas, de cerca de 90 minutos, tenha produzido avanços sobre IA, comércio, Taiwan ou a guerra com o Irã. Os dois países concordaram em prorrogar até 10 de janeiro um acordo que suspende a guerra comercial, mas especialistas viram poucos outros resultados concretos. Senadores democratas criticaram a cúpula por privilegiar a pompa em vez do conteúdo.

Analistas de IA tiveram de ler nas entrelinhas, escreve o jornal, e esperam que a forte competição entre as duas potências limite qualquer avanço além de acordos simbólicos. O jantar de Estado daquela noite reuniu vários líderes de tecnologia, entre eles Tim Cook, Jeff Bezos, Sundar Pichai, Sam Altman, Elon Musk e Jensen Huang, segundo o The Guardian.

Por que isso importa além de Washington e Pequim

As duas maiores potências da IA não compartilham uma linguagem comum sobre segurança. O governo americano prefere deixar as regras como estão e se apoiar na lei existente, enquanto a China insiste publicamente no controle humano, embora ambos disputem o desenvolvimento da tecnologia. Para governos que negociam regras de IA em outros lugares, não existe uma posição comum entre EUA e China com a qual se alinhar, e as conversas bilaterais devem seguir simbólicas enquanto a competição dominar, como preveem analistas citados pelo The Guardian.

O que muda para as empresas brasileiras

Para as empresas brasileiras que vendem produtos, serviços ou software aos dois países, a cúpula confirma que será preciso conviver por muito tempo com duas lógicas divergentes: uma abordagem federal americana que evita novas obrigações de segurança para a IA e uma abordagem chinesa que enfatiza o controle estatal. As equipes de conformidade devem planejar a coexistência desses marcos, e não sua convergência, e manter documentação capaz de atender a cada mercado separadamente, enquanto acompanham também a regulação de IA em discussão no próprio Brasil.

Fontes

  1. 美·中 AI 규제 온도차…트럼프 '현상유지' 시진핑 '인간통제'Electronic Times (ETNews) · 25 de setembro de 2026
  2. Diplomacy or diplotainment? Key takeaways from the Trump-Xi summit in WashingtonThe Guardian · 25 de setembro de 2026

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