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Crusoe abandona plano de US$ 1,25 bilhão com a Boom

A empresa de data centers para IA confirmou que não seguirá com a compra de 29 turbinas Superpower da Boom Supersonic. O acordo previa até 1,25 GW de capacidade e entregas a partir de 2027.

A redação nullbotPublicado em 26 de setembro de 20264 min de leituraFontes (2)
Uma maquete da aeronave supersônica Boom XB-1 em um museu do Colorado em 2023.
Schierbecker · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

Em 25 de setembro de 2026, a Crusoe confirmou que deixou de fazer negócios com a Boom Supersonic, encerrando na prática um plano de até US$ 1,25 bilhão para comprar turbinas a gás destinadas a data centers de inteligência artificial. O acordo previa 29 unidades Superpower, de 42 megawatts cada, e fazia da Crusoe a cliente de lançamento da nova divisão de energia estacionária da empresa sediada em Denver.

A confirmação veio depois de uma publicação na rede X de Blake Scholl, diretor-executivo da Boom. Segundo Scholl, as turbinas não fazem mais parte da combinação principal de energia de curto prazo da Crusoe em Abilene, no Texas, e em outros projetos. Por isso, escreveu ele, uma parceria de lançamento deixou de fazer sentido. A Crusoe confirmou à TechCrunch que a relação comercial não continuará.

Um contrato central para a nova operação da Boom

O pedido era relevante porque a Boom criou o negócio de geração estacionária apenas no ano anterior. A companhia é conhecida pelo desenvolvimento do Overture, um avião comercial supersônico, e projetou a turbina Superpower como uma adaptação do motor Symphony, desenvolvido para essa aeronave. De acordo com a empresa, os dois equipamentos compartilham cerca de 80% de seus componentes.

Cada turbina Superpower teria capacidade de 42 MW. As 29 unidades contratadas somariam cerca de 1,2 GW, número que também aparece como 1,21 GW em outra cobertura. As primeiras entregas estavam previstas para começar em 2027. A divergência entre 1,2 GW e 1,21 GW parece decorrer do arredondamento da capacidade total, já que 29 multiplicado por 42 MW equivale a 1.218 MW.

Scholl afirmou que a Boom pretende entregar aproximadamente 250 MW em turbinas Superpower para outros locais no próximo ano e que tem como meta 1 GW em 2028. Essas são projeções da própria empresa, não volumes de entrega já realizados. Ele também disse que há outros clientes no pipeline, sem identificá-los ou detalhar contratos, cronogramas ou capacidade comprometida.

Flexibilidade energética nos projetos da Crusoe

Em comunicado enviado à TechCrunch, o porta-voz da Crusoe, Andrew Schmitt, disse que a empresa constrói “fábricas de IA” a partir da energia e está colocando novos campi em operação pelo país. Segundo ele, a companhia busca manter flexibilidade para escolher soluções adequadas a cada unidade à medida que as necessidades mudam, incluindo turbinas, energia eólica, solar, baterias e a rede elétrica.

  • O campus inicial de 1,2 GW da Crusoe em Abilene, construído para Oracle e OpenAI, é alimentado pela rede elétrica, segundo a empresa.
  • Uma usina com turbinas a gás no local de Abilene é usada apenas como fonte de energia de reserva, informou a Crusoe.
  • A empresa também está construindo em Abilene um data center de 900 MW para a Microsoft, planejado para usar turbinas a gás instaladas no próprio local.
  • A Crusoe afirmou que turbinas continuam entre as opções possíveis para outros projetos, embora a parceria com a Boom não seja adequada no momento.

Essa configuração ajuda a explicar por que a interrupção do pedido não significa necessariamente um abandono geral de geração a gás pela Crusoe. A empresa diferencia o campus inicial, abastecido pela rede e com geração de respaldo, do novo data center destinado à Microsoft, que deverá usar turbinas a gás no local. O que mudou, conforme as declarações públicas disponíveis, é a participação da tecnologia da Boom no planejamento de curto prazo.

Impacto para uma empresa que buscava diversificar receitas

A perda da cliente de lançamento representa um revés para a Boom, ainda que a empresa sustente ter outros projetos em preparação. A companhia levantou US$ 300 milhões no ano anterior, em grande parte para comercializar o negócio de geração estacionária. Na época, Scholl havia dito à TechCrunch que os lucros dessa atividade poderiam ajudar a financiar o desenvolvimento do Overture.

A Crypto Briefing informou que o contrato teria sido anunciado em dezembro de 2025 e que a lista de pedidos da Boom ainda mencionaria a encomenda da Crusoe. Essa publicação também sugeriu que o contrato talvez não tenha sido formalmente rescindido. No entanto, essa condição contratual não foi confirmada pela Crusoe nem pela Boom no material disponível, e a Crusoe declarou apenas que não está mais fazendo negócios com a empresa.

A mesma reportagem mencionou a Baker Hughes como fornecedora de geradores para o pedido original. Nem a Crusoe, nem a Boom, nem a Baker Hughes comentaram esse ponto no relato da TechCrunch. Assim, não há confirmação suficiente sobre eventuais efeitos para fornecedores, penalidades, cancelamentos formais ou destino de equipamentos associados ao acordo.

Para o mercado brasileiro de infraestrutura digital, o caso ilustra a dificuldade de planejar energia para grandes cargas de IA com anos de antecedência. A expansão de data centers pode combinar rede, geração local, baterias e fontes renováveis, mas a escolha depende do projeto e do momento de implantação. No caso da Crusoe, a evidência pública indica uma revisão de fornecedor e de cronograma, não uma conclusão definitiva sobre qual tecnologia prevalecerá em todos os seus campi.

Fontes

  1. Crusoe abandons $1.25B plan to use Boom turbines at AI data centers | TechCrunchtechcrunch.com
  2. Crusoe abandons $1.25B turbine plan with Boom Supersoniccryptobriefing.com

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