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Meta lança Muse, agente de IA que age dentro das suas apps

O Muse consegue navegar na internet, ligar-se a serviços e concluir tarefas como enviar e-mails, comprar ou fazer reservas em nome do utilizador, mesmo depois de fechar a aplicação. Já está disponível nos EUA, com planos gratuito e pagos.

A redação nullbotPublicado a 12 de setembro de 20264 min de leituraFontes (3)
Entrada da sede da Meta em Menlo Park, Califórnia
LPS.1 · CC0 · Wikimedia Commons

A Meta apresentou o Muse, um agente pessoal de inteligência artificial capaz de navegar na internet, ligar-se a aplicações e serviços, e realizar ações em nome de quem o utiliza. O lançamento começou a 8 de setembro nos Estados Unidos. Ao contrário de um chatbot que apenas responde a perguntas, o Muse pode assumir tarefas inteiras — enviar e-mails, fazer compras, gerir reservas — e, segundo a empresa, continua a trabalhar mesmo depois de a pessoa fechar a aplicação. O exemplo usado pela própria Meta: o Muse consegue pegar numa receita guardada no Instagram, transformá-la numa lista de compras, sugerir uma ementa para um jantar e recordar as restrições alimentares dos convidados antes de enviar os convites.

O que o Muse consegue fazer na prática

Segundo o anúncio oficial da Meta, o Muse consegue ler e responder a e-mails, gerir agendas e pagamentos, interagir com apps de saúde, fazer compras e controlar dispositivos de casa inteligente. O agente pode abrir um navegador, preencher formulários e negociar em nome do utilizador — por exemplo, para vender um carro por melhor preço ou reduzir uma fatura. Na hora de pagar, o Muse pode concluir a compra com o Link, a carteira da Stripe para agentes, que gera um cartão virtual de utilização única para que os dados reais do cartão do utilizador não fiquem expostos; a Meta afirma ser o primeiro agente de IA coberto pelas proteções de compra do Link, como reembolso por artigos danificados ou perdidos. O Shop Pay e o uso de palavras-passe guardadas no 1Password chegam brevemente. Todo o sistema assenta no Muse Spark, o modelo mais avançado da Meta até agora, criado especificamente para este tipo de trabalho agêntico.

Como a Meta diz proteger a privacidade — e as dúvidas que ficam

A Meta afirma ter construído uma infraestrutura nova para sustentar este tipo de agente: o Muse corre dentro de uma máquina virtual dedicada na nuvem, chamada Muse Secure VM, exclusiva para cada pessoa. Um agente separado, chamado Sentinel, mantido apartado do Muse ao nível do sistema, revê cada ação antes de esta sair dessa máquina virtual, e pede autorização explícita para tarefas sensíveis, como enviar uma mensagem ou fazer um pagamento. Segundo a empresa, o Muse não tem acesso visual a palavras-passe nem a números de cartão: as credenciais ficam guardadas num armazenamento seguro que o agente pode usar sem as "ver". A pessoa escolhe a que aplicações o Muse se liga e com que nível de acesso, pode revogá-lo a qualquer momento, e pode pedir ao agente que "esqueça" dados específicos que aprendeu. A Meta também anunciou que, ainda este ano, vai lançar o Muse Confidential VM, uma versão em que toda a máquina virtual — incluindo dados e conversas — é cifrada com uma chave que só o utilizador controla.

Apesar destas garantias, órgãos como o Yahoo Tech apontam uma ressalva importante: o uso das conversas para treinar os modelos de IA da Meta vem ativado por defeito, cabendo à pessoa desativar essa opção caso não a queira. O lançamento surge também poucas semanas depois de a Meta ter aceitado um acordo multiestadual de até US$ 18 mil milhões sobre acusações de que as suas redes sociais prejudicam menores, e num contexto de preocupação mais ampla sobre a forma como os óculos com IA da empresa são usados para gravar pessoas sem consentimento. Esta combinação — um assistente com acesso a e-mail, pagamentos e dispositivos domésticos, da mesma empresa visada nesses processos — explica por que vários analistas pedem cautela antes de confiar tarefas sensíveis ao Muse. O lançamento inicial também não inclui mercados como a Índia, o que sugere um lançamento deliberadamente faseado.

Preço e disponibilidade

  • Disponível desde 8 de setembro nos EUA, através de app dedicada para iOS e Android, do navegador em muse.ai e de conversas no WhatsApp
  • Plano gratuito, mais dois níveis pagos: US$ 20 e US$ 100 por mês
  • A app móvel mostra um medidor que avisa quando a utilização gratuita está a esgotar-se
  • O suporte aos óculos de IA da Meta chega brevemente

O que muda para os programadores de aplicações de terceiros

Para quem desenvolve aplicações e serviços online, a chegada de um agente como o Muse muda uma premissa básica: cada vez mais ações dentro de uma app podem ser executadas por software autónomo em nome de um utilizador humano, e não apenas por uma pessoa a tocar no ecrã. Isto obriga a repensar interfaces pensadas exclusivamente para humanos — formulários, fluxos de pagamento, muros de anúncios — e levanta questões de segurança: se um agente consegue navegar, preencher formulários e concluir compras, torna-se também num novo vetor de ataque caso alguém consiga manipulá-lo, por exemplo através de instruções ocultas injetadas numa página. Os programadores que queiram que as suas apps funcionem bem com agentes como o Muse vão precisar de oferecer permissões e APIs explícitas em vez de depender de que o agente "adivinhe" a interface humana, e terão de decidir com cuidado que ações — comprar, cancelar, partilhar dados — estão dispostos a delegar num software que atua sem supervisão humana constante.

Fontes

  1. Muse es capaz de actuar en tu nombre: lo que puede hacer el nuevo agente de IA de MetaExpansión · 10 de setembro de 2026
  2. Introducing Muse: The World's First Personal AI Agent Built for EveryoneMeta (Meta Newsroom) · 8 de setembro de 2026
  3. Meta Launches Muse, a Personal AI Agent That Acts on Your BehalfYahoo Tech · 8 de setembro de 2026

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