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Bill Gates cria o termo 'Human Reserved' para empregos protegidos da IA

Em ensaio publicado em 26 de agosto no GatesNotes, o fundador da Microsoft alerta que a transição para a IA será 'um dos períodos mais turbulentos da história humana' e propõe reservar certos empregos para humanos.

A redação nullbotPublicado em 3 de setembro de 20264 min de leituraFontes (2)
Bill Gates falando durante uma coletiva de imprensa
DFID - UK Department for International Development · CC BY 2.0 · Wikimedia Commons

Bill Gates, fundador da Microsoft, publicou em 26 de agosto de 2026 em seu site pessoal GatesNotes um ensaio intitulado "The turbulent AI era is here. The choices we make now are critical" ("A turbulenta era da IA chegou. As escolhas que fazemos agora são críticas"), no qual alerta sobre decisões corporativas que começam a priorizar essa tecnologia em vez das pessoas.

Em termos de equidade, a IA será o maior nivelador já inventado, ou a pior fonte de injustiça. O desafio é monumental. Mesmo nas melhores circunstâncias, a transição para essa nova era da IA será um dos períodos mais turbulentos da história humana.

Bill Gates

"Não há um plano" para a entrada na era da IA

Gates diz não ver evidências de que líderes, especialistas e comunidades estejam enfrentando esses desafios de maneira adequada: "Não vejo evidências de que líderes, especialistas e comunidades estejam enfrentando os desafios de maneira adequada. Não há um plano para facilitar a entrada na era da IA", escreveu. Segundo ele, muitos analistas subestimam a extensão do impacto da IA, em parte por causa dos problemas de confiabilidade atuais da tecnologia e de analogias enganosas com inovações tecnológicas do passado, que, segundo ele, não são comparáveis em magnitude.

O empresário reconhece seu possível viés como magnata da tecnologia e presidente da Fundação Gates, que também usa IA em seus programas. Mas afirma que suas opiniões não são motivadas por interesse financeiro pessoal: "minhas opiniões sobre IA não são motivadas pelo potencial de ganhar mais dinheiro para mim mesmo", escreveu, acrescentando que os lucros gerados por seus investimentos irão para a Fundação Gates para combater a desigualdade.

Desde que me lembro, desejei que a inovação pudesse acontecer mais rápido. Com a IA, meus sentimentos são mais complicados. Eu gostaria que o mundo pudesse obter os benefícios rapidamente e adiar os problemas que ela causará o máximo possível, mas os benefícios e os problemas estão chegando ao mesmo tempo.

Bill Gates

Gates afirma que quem mais precisa de tempo para se preparar é quem tem menos: "o trabalhador da contabilidade substituído por um robô ou o trabalhador que ganha 20 dólares por hora e perde o emprego para um robô de 10 dólares por hora". Ele prevê impacto em setores como direito, atendimento ao cliente, medicina, software e manufatura ao longo de uma década, com o surgimento de novos empregos que, sem as políticas certas, serão muito menos numerosos do que os atuais.

Gates acrescentou que, se alguém tivesse um plano confiável para desacelerar os avanços globais da IA, ele provavelmente o apoiaria, mas não acredita que isso vá acontecer: "os incentivos geopolíticos e econômicos estão empurrando com força demais para seguir a toda velocidade", escreveu.

O conceito de 'Human Reserved'

É aqui que Gates introduz o conceito central de seu ensaio: "Human Reserved" ("reservado para humanos"), tarefas que as máquinas seriam plenamente capazes de realizar, mas que se escolhe deliberadamente reservar às pessoas, à maneira de uma reserva natural.

Poderíamos reservar algo como Human Reserved por razões econômicas. Por exemplo, poderíamos fazer isso porque permitir que máquinas assumam um certo papel deslocaria um grande número de pessoas que não conseguem mudar de emprego facilmente. Às vezes a decisão de tornar algo Human Reserved será motivada por outros fatores. Na saúde, por exemplo, imagine um robô lhe dando a terrível notícia de que você tem uma doença incurável. Não há razão técnica para que ele não pudesse. No entanto, não deveria.

Bill Gates

Gates afirma que esse domínio "reservado para humanos" vai evoluir com o tempo e variar de país para país: "Alguns países podem insistir que sejam humanos a cuidar dos idosos. Mas um país como o Japão, que tem uma força de trabalho em redução e não tem jovens suficientes para cuidar dos mais velhos, pode receber bem um robô cuidador", escreveu.

  • Novas instituições nacionais e globais para gerenciar a transição
  • Uma categoria de empregos reservados exclusivamente para humanos
  • Um imposto sobre IA e robôs

Esses são os três caminhos que Gates propõe para gerenciar a transição. Ele reconhece, porém, não ter respostas prontas sobre quem decidiria quais funções reservar, com que critérios, como impedir que empresas driblem essas regras, nem sobre o efeito dessas dinâmicas no comércio internacional. Segundo Gates, essas questões "precisarão ser resolvidas publicamente como parte do plano de transição".

O que muda para o Brasil e a América Latina

Para o Brasil e o restante da América Latina, o debate reaberto por Gates toca setores em que o emprego humano ainda é massivo e onde a automação por IA avança rapidamente: o atendimento ao cliente, a saúde e, cada vez mais, o cuidado com idosos em sociedades que também envelhecem. A ideia de reservar certos papéis para humanos — ou de instituir um imposto sobre a automação — levanta perguntas concretas para governos e empresas da região: quais empregos mereceriam essa proteção, e quem arcaria com o custo da transição se a substituição tecnológica avançar mais rápido do que as políticas trabalhistas que deveriam acompanhá-la.

Fontes

  1. Bill Gates pide 'guardar' trabajos para humanos y acuña el término 'Human Reserved'Expansión · 31 de agosto de 2026
  2. Bill Gates calls for human reserved jobs amid AI workforce changesFox Business · 26 de agosto de 2026

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