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XPRIZE Wildfire: Drones com IA detetam fogos em dez minutos

Os finalistas do XPRIZE Wildfire detetaram ignições em menos de dez minutos com recurso a IA e drones, embora a extinção autónoma permaneça um desafio.

A redação nullbotPublicado a 24 de setembro de 20265 min de leituraFontes (2)
Uma imagem térmica mostra um incêndio florestal capturado durante uma missão de reconhecimento com drone.
Bureau of Land Management Oregon and Washington from Portland, America · Public domain · Wikimedia Commons

A luta global contra incêndios florestais catastróficos alcançou um marco tecnológico decisivo. Os organizadores da competição XPRIZE Wildfire, dotada de um orçamento global de 11 milhões de dólares e lançada em abril de 2023, revelaram os vencedores da sua iniciativa plurianual no Museu dos Bombeiros da Cidade de Nova Iorque a 23 de setembro de 2026. A competição tinha como objetivo revolucionar a gestão de catástrofes em duas vertentes distintas: a deteção precoce a partir do espaço e a supressão aérea totalmente autónoma. Embora várias equipas tenham demonstrado que o hardware emergente e a inteligência artificial conseguem localizar ignições com precisão em menos de dez minutos, nenhuma conquistou os grandes prémios principais, uma vez que a extinção totalmente autónoma em condições reais de terreno permanece por resolver.

Queremos ser capazes de preparar e fornecer ferramentas aos bombeiros que lhes permitam verdadeiramente desempenhar o melhor trabalho possível. Eles são extraordinários no que fazem, mas é injusto continuar a colocá-los em perigo quando existem tecnologias a surgir que podem ajudar a mantê-los em segurança, a manter as comunidades seguras e a proteger os ecossistemas.

Andrea Santy, Diretora do Programa XPRIZE Wildfire

A resposta tradicional de emergência continua a depender predominantemente de alertas humanos. Tal como Andrea Santy salientou ao Ars Technica, as chamadas de emergência para o número 911 demoram, em média, pelo menos 15 minutos desde o momento da ignição, o que concede às chamas um período crítico de tempo para se propagarem descontroladamente. O XPRIZE Wildfire estabeleceu um limite operacional rigoroso de dez minutos em ambas as vertentes com o propósito explícito de superar com larga margem os prazos de resposta dos sistemas convencionais de emergência.

Deteção Espacial com IA em Paisagens de Grande Escala

A Vertente A desafiou as equipas concorrentes a analisar fluxos de satélite de observação da Terra recorrendo a algoritmos de aprendizagem automática (machine learning) para detetar e caracterizar ignições em territórios vastos e complexos. Os finalistas foram submetidos a testes operacionais reais em abril de 2026 em conjunto com o Serviço Rural de Bombeiros de Nova Gales do Sul (New South Wales Rural Fire Service), na Austrália. Embora o grande prémio de 3,5 milhões de dólares financiado pela fundação australiana Minderoo Foundation não tenha sido atribuído, o XPRIZE distribuiu 1,05 milhões de dólares por cinco equipas que demonstraram inovações substanciais no domínio do software.

A maioria das plataformas em órbita foi desenhada para a monitorização meteorológica e ambiental abrangente, em vez do rastreio tático de incêndios no solo, muito embora constelações especializadas, como a da OroraTech em março de 2025 e a FireSat apoiada pela Google em julho de 2026, tenham começado a ser implementadas. Para colmatar esta lacuna técnica, a aliança britânica SIRIUS Wildfire Alliance conquistou o primeiro lugar e o prémio de 500 000 dólares ao fundir imagens óticas com tecnologia de radar de abertura sintética (SAR) para modelar com eficácia a propagação do fogo. A equipa Snuffed, sediada no Arizona, alcançou a segunda posição e um prémio de 250 000 dólares graças a uma arquitetura transparente e probabilística de fusão de dados concebida especificamente para as necessidades dos bombeiros no terreno. Foram ainda atribuídos prémios de reconhecimento especial no valor de 100 000 dólares cada à MyRadar, pela ingestão eficiente de dados comerciais, à DeepFire, pelos alertas automatizados de propagação, e à empresa alemã Mayday.AI, que adaptou com sucesso um algoritmo originalmente desenvolvido para cinzas vulcânicas de forma a rastrear o fumo através de uma densa cobertura de nuvens.

Drones Autónomos e Redes de Sensores no Alasca

A Vertente B testou a resposta autónoma em junho de 2026 ao longo de uma área selvagem e acidentada de 1000 quilómetros quadrados (386 milhas quadradas) em Nenana, no Alasca, nas proximidades de Fairbanks. Os concorrentes tinham como requisito obrigatório detetar uma ignição de elevado risco em menos de dez minutos, despachar equipamento de supressão, ignorar focos de distração ou fogos engodo e extinguir completamente o incêndio. Embora todos os três finalistas tenham conseguido detetar o fogo dentro do limite estrito de tempo e dois tenham lançado ataques de supressão, nenhum conseguiu descarregar uma quantidade suficiente de agente retardante para neutralizar por completo as chamas. O painel de jurados distribuiu 2,5 milhões de dólares em prémios com base nos marcos operacionais alcançados:

  • A Anduril Industries garantiu o primeiro lugar (1,2 milhões de dólares), acrescido de um bónus de 1 milhão de dólares da Lockheed Martin pela deteção mais rápida, combinando torres térmicas Sentry Towers, a sua plataforma de software Lattice, drones de vigilância e um drone Ghost-X capaz de lançar esferas com retardante de fogo.
  • A Dryad Networks conquistou o segundo lugar (800 000 dólares) ao integrar o sistema Silvanet — uma rede de malha composta por 170 sensores de gás terrestres alimentados a energia solar — com reconhecimento aéreo e o seu drone de intervenção Silvaguard Suppression Drone.
  • A AURA Foresight alcançou o terceiro lugar (500 000 dólares) através de uma abordagem altamente acessível que combinou software de coordenação com IA desenvolvido à medida com enxames de drones comerciais DJI prontos a utilizar.

A parte verdadeiramente entusiasmante foi que tivemos uma equipa que conseguiu executar todas as ações necessárias no limite de 10 minutos e atingir o fogo com enorme precisão. No entanto, não foram capazes de aplicar retardante suficiente para o extinguir por completo.

Andrea Santy, Diretora do Programa XPRIZE Wildfire

Realidades Operacionais e Implicações Industriais

A urgência no desenvolvimento destes sistemas é evidenciada pelo aumento contínuo dos custos provocados por catástrofes naturais. Acontecimentos do mundo real reforçaram o calendário e o propósito da competição: o incêndio florestal de Lahaina, em agosto de 2023, provocou 102 mortos; enormes nuvens de fumo provenientes do Canadá cobriram várias cidades norte-americanas; o incêndio de março de 2025 na Coreia do Sul bateu recordes nacionais de destruição; e o incêndio de janeiro de 2025 em Los Angeles causou perdas avaliadas em 140 mil milhões de dólares e 31 vítimas mortais, de acordo com uma análise detalhada publicada na revista Nature Reviews Earth & Environment. Já em 2026, os incêndios florestais na Europa forçaram a retirada de mais de 320 000 pessoas em Espanha e em França, chegando mesmo a ameaçar as instalações do Complexo de Comunicações do Espaço Profundo da NASA, situado nas imediações de Madrid.

À medida que o XPRIZE Wildfire transita agora para uma Fase de Impacto liderada pela Pacific Gas and Electric Company (PG&E), a lição operacional para gestores de instalações industriais, fornecedores de redes de serviços públicos (utilities) e organizações do setor florestal torna-se evidente. A extinção de ponta a ponta totalmente autónoma permanece limitada pela capacidade de carga útil dos drones e pela química dos agentes supressores disponíveis. Contudo, as redes de deteção multissensoriais e a análise satelitizada assistida por inteligência artificial encontram-se hoje totalmente preparadas para integração operacional direta. As organizações responsáveis pela gestão de infraestruturas remotas podem começar a instalar estas camadas automatizadas de alerta precoce no imediato, desencadeando respostas humanas e mecânicas muito antes do limite temporal típico de 15 minutos característico das chamadas de emergência convencionais.

Fontes

  1. XPRIZE Wildfire winners spotted fires within 10 min—but couldn’t stop themArs Technica · 23 de setembro de 2026
  2. XPRIZE Wildfire awardeesXPRIZE · 23 de setembro de 2026

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