Oracle invoca força maior em data center do Stargate no Novo México
A Oracle enviou um aviso de força maior ao desenvolvedor do Project Jupiter, campus do Stargate de 2,45 gigawatts no Novo México, o que pode permitir adiar aluguéis por até três anos se a energia não estiver pronta. A Oracle diz que o cronograma está mantido; as ações caíram mais de 3%.

A Oracle enviou um aviso de força maior ao desenvolvedor do Project Jupiter, um campus de data centers do Stargate em construção perto de Santa Teresa, no Novo México, como a Bloomberg revelou nesta semana, segundo TechCrunch, CNBC e El Paso Matters. O aviso foi enviado à Stack Infrastructure, a desenvolvedora, que pertence à gestora Blue Owl Capital.
Uma cláusula de força maior, comum em contratos de energia e commodities, libera uma parte de suas obrigações contratuais quando fatos fora de seu controle atrapalham. Segundo fontes da Bloomberg citadas pelo TechCrunch, a Oracle não pretende deixar de ser a principal locatária do campus. O aviso permitiria, em vez disso, adiar pagamentos caso a instalação perca a meta de entrar em operação em 2028. A Oracle poderia conseguir até três anos de adiamento antes de pagar aluguel se as partes concordarem com um evento de força maior ligado ao cumprimento dos compromissos de energia, informou a Bloomberg, segundo o El Paso Matters.
O que dizem a Oracle e seus parceiros
A Oracle afirma que não espera atraso. O Project Jupiter segue no cronograma planejado, disse a empresa à CNBC, acrescentando que está totalmente comprometida com o Novo México. Avisos de força maior são comuns em empreendimentos desse porte e costumam servir para preservar direitos contratuais entre parceiros, disse ao El Paso Matters o porta-voz da Oracle Michael Egbert; por si só, não configuram atraso. A Blue Owl Capital disse à CNBC que o aviso não muda os compromissos financeiros desse projeto plurianual.
Mesmo assim, o mercado reagiu. As ações da Oracle caíram mais de 3% na quinta-feira, e as da Blue Owl também recuaram, informa a CNBC. As ações da Bloom Energy, que deve abastecer a instalação com suas células a combustível, caíram 3%; a empresa disse no X que segue comprometida com o contrato e o cronograma. O co-CEO da Oracle, Clay Magouyrk, havia dito a analistas em 10 de setembro que o Project Jupiter não afetaria as projeções de receita e lucro do ano fiscal de 2027.
Um fornecimento de energia que não para de atrasar
O aviso vem depois de uma série de reveses, a maioria ligada à energia. O campus deve funcionar com um conjunto de células a combustível da Bloom Energy capaz de gerar até 2,45 gigawatts no local, alimentado com gás natural por um novo gasoduto, explica o El Paso Matters. Duas peças essenciais desse sistema, a licença de emissões atmosféricas e o gasoduto, continuam sem solução.
- Gasoduto: a linha Green Chile, com cerca de 29 quilômetros, construída pela Transwestern, subsidiária da Energy Transfer, deveria entrar em operação no mês passado e agora está prevista para fevereiro de 2027; o Escritório de Terras do Estado do Novo México recusou duas vezes que ela atravesse cerca de um quilômetro de terras públicas.
- Análise federal: técnicos da Comissão Federal Reguladora de Energia concluíram em uma avaliação ambiental que a aprovação não prejudicaria o meio ambiente; comentários públicos seguem abertos até 5 de outubro.
- Licença atmosférica: o Departamento de Meio Ambiente do Novo México não a emitiu; a audiência ficou travada por ações na Suprema Corte estadual, que liberou o caminho na semana passada, e o TechCrunch cita o prazo de 23 de novembro para a decisão.
- Compromissos locais: pelos acordos fiscais com o condado de Doña Ana, uma primeira fase deveria começar a operar entre outubro e dezembro deste ano, e o campus completo e a usina, até o terceiro trimestre de 2028.
Esses detalhes vêm do El Paso Matters e do TechCrunch. Pelos mesmos acordos, os desenvolvedores devem pagar ao condado de Doña Ana 12 milhões de dólares por ano durante 30 anos em lugar de impostos; o comissário do condado Manny Sanchez disse que a Oracle não comunicou nenhuma mudança ao condado.
Dinheiro e política em torno de uma vitrine do Stargate
O Project Jupiter é um dos principais locais do Stargate, a iniciativa de infraestrutura de IA que Oracle, OpenAI e SoftBank anunciaram com o presidente Donald Trump no início de seu segundo mandato, lembra o TechCrunch. Um consórcio de quase 20 bancos emprestou 18 bilhões de dólares à Oracle para a obra, segundo a Bloomberg citada pelo El Paso Matters, e a CNBC informa, com base no Financial Times, que essa dívida já é negociada em níveis de estresse. A S&P Global Ratings rebaixou a Oracle no início de julho ao nível mais baixo do grau de investimento, acrescenta o El Paso Matters, enquanto o investimento da empresa subiu para entre 90 e 95 bilhões de dólares neste ano fiscal.
O campus também virou um foco de tensão política antes das eleições de meio de mandato, com oposição de moradores e grupos ambientalistas, e a Oracle lançou uma campanha de comunicação no estado, segundo a Bloomberg citada pelo TechCrunch. O CEO da Energy Transfer, Mackie McCrea, descreveu a oposição ao gasoduto como parte de um ativismo mais amplo contra data centers.
O que muda para as empresas brasileiras
Para empresas que contam com nova capacidade de IA hospedada nos Estados Unidos, o episódio mostra onde está o risco real: não nos chips nem no capital, mas em gasodutos, licenças ambientais e política local. Quem compra nuvem e capacidade de computação deve perguntar aos fornecedores de quais locais sua capacidade depende e o que acontece contratualmente se um campus abrir com atraso, porque os maiores participantes já estão colocando essa possibilidade nos próprios contratos.
Fontes
- Oracle sends force majeure notice on its New Mexico Stargate data centerTechCrunch · 24 de setembro de 2026
- Oracle stock falls on news it sent data center force majeure noticeCNBC · 24 de setembro de 2026
- Oracle could defer Project Jupiter rent payments over power supply delaysEl Paso Matters · 24 de setembro de 2026


