China cria primeira norma de segurança para agentes de IA financeiros
A aliança fintech de Pequim publicou em 27 de agosto a primeira norma chinesa de segurança para agentes de IA em apps financeiros, exigindo aprovação conjunta do usuário e da instituição antes de qualquer ação.

Em 27 de agosto, a Aliança da Indústria Fintech de Pequim publicou uma norma setorial intitulada "Requisitos de Segurança para Tecnologias de Agentes de IA em Aplicativos Financeiros", a primeira norma chinesa voltada especificamente à segurança de agentes de IA que operam em contextos financeiros, segundo reportagem do veículo de tecnologia Leiphone no mesmo dia. A norma estabelece que agentes de IA de terceiros em dispositivos móveis não podem usar permissões do sistema para ler ou operar automaticamente a interface gráfica de aplicativos financeiros sem autorização da instituição financeira responsável; quando um agente precisa de acesso a microfone, captura de tela, gravação de tela ou compartilhamento de tela para coletar dados, também deve seguir a política de segurança do aplicativo chamado. O setor resume isso como "dupla autorização": um agente só pode agir sobre um aplicativo financeiro depois de obter permissão tanto do usuário final quanto da instituição.
A norma foi conduzida pelo Centro Nacional de Certificação Fintech de Pequim, em conjunto com instituições financeiras como o Banco Postal de Poupança da China, o Banco Industrial e Comercial da China, a China UnionPay, o Banco da China, o Bank of Communications e o Hua Xia Bank, além das empresas de tecnologia Huawei, Ant Group, Volcano Engine (da ByteDance) e Tencent Cloud. Ela abrange cinco áreas: inicialização e entrada de dados, inferência e decisão do modelo, verificação de identidade e operação, segurança de dados e proteção da privacidade, e prevenção de riscos e conformidade. Segundo uma análise independente do veículo de tecnologia News.ai7788.cn, a mudança central é que os agentes agora precisam interagir com as instituições financeiras por meio de APIs oficiais, em vez dos métodos de leitura de tela usados até então, devolvendo o controle aos próprios bancos.
Uma falha bancária que expôs um vácuo regulatório
A norma não surgiu do nada. Em dezembro de 2025, um modelo de smartphone equipado com assistente de IA foi lançado, e usuários logo relataram logins anômalos e pagamentos bloqueados em vários aplicativos bancários; em 6 de dezembro, a capacidade do assistente de operar aplicativos financeiros já havia sido removida. Na época, nenhuma regra específica regulava o comportamento de agentes em contextos financeiros. A cobertura do News.ai7788.cn descreveu o episódio como um ponto de virada para o setor: à medida que os agentes avançavam sobre casos de uso financeiro, a combinação de altas permissões de sistema com operação entre aplicativos gerou um risco de rápido acúmulo. Alguns agentes funcionavam lendo a tela, simulando toques e usando reconhecimento óptico de caracteres para interpretar o texto da interface, em vez de chamar a interface oficial de um aplicativo — um método de amplo alcance que também contornava os próprios controles do aplicativo sobre escopo de permissões, gestão de risco e responsabilidade, com consequências diretas para a segurança de contas e recursos em cenários licenciados de pagamento e gestão patrimonial.
Parte de uma onda mais ampla de normas chinesas sobre agentes
Essa norma específica para o setor financeiro se insere em um conjunto mais amplo de medidas nacionais. Em maio de 2026, a Administração do Ciberespaço da China, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma e o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação publicaram conjuntamente diretrizes de implementação exigindo gestão adequada de permissões e comportamento dos agentes de IA. Em julho, foi publicada uma série de documentos nacionais de orientação à normalização sobre "interconexão de agentes de IA", e o órgão nacional de normalização iniciou os trabalhos de uma norma nacional obrigatória sobre requisitos básicos de segurança de aplicações de agentes; em 15 de julho, os reguladores aprovaram um novo lote de apenas sete serviços de IA generativa embarcada em dispositivos. Em 9 de setembro, na Cúpula do Bund 2026, a Associação Chinesa de Segurança Cibernética e o Ant Group lançaram mais duas normas setoriais — sobre autenticação e autorização de identidade de agentes, e sobre segurança em tempo de execução de agentes —, desta vez para cenários de escritório e vida cotidiana além das finanças, sinal de que os reguladores chineses estão construindo bases técnicas de segurança para agentes em várias frentes ao mesmo tempo.
- Norma publicada: 27 de agosto de 2026, pela Aliança da Indústria Fintech de Pequim
- Regra central: um agente precisa da autorização do usuário E da instituição financeira para agir
- Órgão líder: Centro Nacional de Certificação Fintech de Pequim; participam seis bancos/redes de pagamento, além de Huawei, Ant Group, Volcano Engine e Tencent Cloud
- Fato desencadeador: um assistente de IA de smartphone teve o controle de apps financeiros removido em dezembro de 2025 após falhas bancárias
- O que vem a seguir: uma política nacional de maio de 2026, documentos de orientação em julho e uma norma obrigatória em preparação, além de duas normas mais amplas lançadas em setembro
Fabricantes de dispositivos já começaram a ajustar sua abordagem técnica a uma lógica de "API primeiro, com permissão do aplicativo". Segundo relatos, o mais recente telefone Doubao da ByteDance mudou a forma como coopera com superapps como os da Alibaba e da Tencent, deixando de ler a tela ou simular toques após a autorização do usuário; agora só se conecta quando o próprio aplicativo oferece um serviço MCP (Model Context Protocol) e permite o controle. O STEPX Neo, da StepFun, migrou de forma semelhante para um protocolo GUI-MCP que deixa cada aplicativo decidir o quanto de acesso conceder. Em junho de 2026, o WeChat e a fabricante de telefones Honor lançaram uma capacidade agente a agente (A2A) que permite aos usuários iniciar chamadas do WeChat ou enviar mensagens por meio de um assistente de voz — mas apenas porque o próprio WeChat abre uma interface para o agente do fabricante, criando uma segunda camada de permissão além da do usuário. No exterior, Google e Samsung adotaram abordagem semelhante na linha Galaxy S26, com o sistema abrindo permissões específicas e os aplicativos cooperando com o restante — sugerindo que o modelo de "dupla autorização mais interface oficial" não é exclusividade chinesa, mas uma direção para a qual convergem fabricantes de agentes no mundo todo ao lidar com pagamentos e outras tarefas de alto risco.
O que muda para os reguladores financeiros brasileiros
Segundo a análise do News.ai7788.cn, a norma eleva na prática a barreira de entrada nos casos de uso financeiro: uma vez obrigatórias a dupla autorização e o acesso via API oficial, fornecedores menores de agentes, sem poder de negociação para conseguir parcerias bancárias ou interfaces oficiais, terão dificuldade para operar nesses cenários, concentrando ainda mais o mercado em torno de quem já trabalha com as grandes instituições. Para o Banco Central e demais reguladores brasileiros, que já lidam com o avanço do Open Finance e do Pix e agora começam a enfrentar assistentes de IA capazes de ler uma tela e operar um aplicativo bancário em nome do usuário, isso oferece um modelo concreto a estudar: em vez de punir depois do fato, exigir dupla autorização e interfaces oficiais antes que um agente sequer se aproxime de uma transação real. À medida que agentes de IA se aproximam, no Brasil e no mundo, do gesto concreto de movimentar dinheiro, a pergunta que os reguladores chineses acabaram de responder — quem precisa dizer sim antes de um agente tocar em uma conta bancária — é algo que todo regulador financeiro terá de resolver, mais cedo ou mais tarde.
Fontes
- 金融领域首个智能体安全标准发布Leiphone (雷峰网) · 27 de agosto de 2026
- 金融智能体安全标准落地实录News.ai7788.cn (火龙果频道) · 27 de agosto de 2026
- 行业 | 两项智能体安全团体标准启动,共筑智能体规模化应用安全基线China Information Security (via gm7.org) · 10 de setembro de 2026



