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Piratas informáticos chineses duplicam ataques com o DeepSeek

Grupos de piratas informáticos ligados ao Estado chinês duplicaram o volume das suas operações ao integrar o DeepSeek em tarefas de reconhecimento e geração de código malicioso, embora a IA ainda não execute ciberataques totalmente autónomos.

A redação nullbotPublicado a 26 de agosto de 20264 min de leituraFontes (2)
Código de programação exibido no ecrã de um computador
Markus Spiske markusspiske · CC0 · Wikimedia Commons

Vários grupos de piratas informáticos ligados ao governo chinês encontraram uma forma mais eficaz de aceder aos sistemas das suas vítimas: integrar o DeepSeek e outros modelos de inteligência artificial de código aberto em diferentes fases dos seus ataques. A empresa taiwanesa de cibersegurança TeamT5 documentou que vários destes grupos duplicaram o volume das suas operações desde que passaram a depender desta tecnologia. Para já, segundo os investigadores, a IA limita-se a tarefas de apoio — reconhecimento, geração de código malicioso e movimento lateral dentro de redes já comprometidas — e não a invadir sistemas de forma totalmente autónoma.

Quatro grupos, quatro usos diferentes

  • O Grimfengxi recorreu ao DeepSeek para gerar código de exploits.
  • O Huapi usou a IA para atacar o sistema de correio eletrónico de uma empresa taiwanesa.
  • O Teleboyi usou o modelo para recolher mais de 1.000 endereços IP e mapear os domínios de uma empresa-alvo.
  • O Slime22 foi mais longe e incorporou o Claude Code, da Anthropic, para se fazer passar por um engenheiro que realizava testes de segurança numa empresa tecnológica taiwanesa.

O DeepSeek é a IA escolhida pelos piratas informáticos chineses porque é relativamente potente e tem muito poucas barreiras de cibersegurança.

Charles Li, analista-chefe da TeamT5

Li acrescenta que os modelos ocidentais também são procurados pelos atacantes, mas as suas restrições mais rígidas exigem um esforço consideravelmente maior para as contornar.

Os limites da autonomia

Um dos principais receios em torno da IA é que esta venha a ser capaz de executar ciberataques de forma autónoma. É uma das razões pelas quais os Estados Unidos tinham travado o lançamento do "Claude Mythos" e do modelo mais avançado da OpenAI, depois de ambas as empresas terem afirmado que os seus sistemas conseguiam executar ataques complexos e resolver desafios de vulnerabilidade de nível especialista.

Mas, para já, os piratas informáticos não conseguem automatizar ciberataques de forma fiável. A Unit 42, divisão de investigação de ameaças da Palo Alto Networks, documentou o caso de um atacante que tentou violar mais de 460 alvos combinando métodos autónomos e manuais, com um sistema construído sobre o DeepSeek. O sistema procurou software vulnerável na internet, extraiu código de exploits do GitHub e raciocinou de forma autónoma sobre que alvo atacar. O DeepSeek escolheu como alvo a plataforma de automação n8n depois de encontrar mais de 25 mil instalações expostas na China; após uma amostragem, o agente identificou três versões vulneráveis, mas todas exigiam autenticação e nenhuma pôde ser explorada. Os únicos ataques bem-sucedidos foram feitos manualmente, quando o próprio atacante extraiu dados e executou comandos por conta própria.

A taxa de eficácia das tentativas autónomas confirma que a IA ainda não está pronta para conduzir invasões sem supervisão humana. Os testes em laboratório funcionaram nalguns casos, mas sempre em ambientes de simulação, sem elementos de defesa ativos como vigilância ou resposta a incidentes.

O precedente do Claude Code

Em novembro de 2025, a Anthropic afirmou que um grupo apoiado pelo Estado chinês tinha usado o Claude Code para automatizar entre 80% e 90% de uma campanha de espionagem dirigida a cerca de 30 organizações, embora apenas um número reduzido de tentativas tenha sido bem-sucedido. A empresa apresentou então este caso como o primeiro caso documentado de um ciberataque em grande escala executado sem intervenção humana substancial — uma afirmação que abriu um debate na comunidade de cibersegurança. A Anthropic bloqueou desde então o acesso aos seus serviços a empresas controladas pelo Estado chinês.

Recuso-me a acreditar que os atacantes estejam a conseguir que estes modelos façam coisas que mais ninguém consegue fazer.

Dan Tentler, fundador da Phobos Group

O investigador Kevin Beaumont, por seu lado, defende que os piratas informáticos não estão a inventar nada de novo e compara estas ferramentas ao Metasploit, um framework criado em 2003 para desenvolver e executar exploits contra alvos remotos. Outra descoberta, documentada pela empresa CyCraft e noticiada pela Bloomberg, mostra que um grupo que vende software de intrusão recorreu ao ChatGPT, da OpenAI, durante um ataque a um think tank ocidental: depois de obter a base de dados local do Signal de um funcionário, os atacantes consultaram o chatbot para ajudar a construir um módulo capaz de a desencriptar.

Para as equipas de segurança informática e as empresas tecnológicas de Portugal, o caso confirma que a vigilância deve estender-se às ferramentas de automação expostas na internet — como o n8n — e aos sistemas de correio eletrónico e colaboração ligados a fornecedores de IA de baixo custo, precisamente os pontos que os grupos ligados à China exploraram primeiro fora das suas fronteiras. A diferença não está em modelos mais sofisticados, mas na rapidez com que os atacantes adotam ferramentas acessíveis e baratas para ganhar velocidade. O episódio reabre também a questão de fundo sobre a governação dos agentes de IA, o quadro que define responsabilidades e limites à medida que estes sistemas atuam de forma cada vez mais autónoma dentro de uma organização.

Fontes

  1. Hackers chinos usan DeepSeek para duplicar sus ataquesHipertextual · 25 de agosto de 2026
  2. China's Hackers Use DeepSeek for Attacks, Researchers SayInsurance Journal · 25 de agosto de 2026

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