China rejeita apelo liderado pelos EUA para abrandar a IA enquanto reforça o quadro de segurança
Pequim descartou o pedido de Dario Amodei para um abrandamento da IA liderado pelos EUA, alegando que restrições baseadas no medo prejudicariam a governação global, ao mesmo tempo que lança a terceira versão do seu regime de segurança de IA.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China rejeitou publicamente o pedido do CEO da Anthropic, Dario Amodei, para limitar o acesso chinês a modelos avançados de IA e manter o controlo americano sobre as exportações de semiconductores, qualificando o apelo como uma interpretação errada das necessidades globais de governação da IA.
Porquê Pequim Resiste
Segundo a declaração do ministério, “o medo, a confrontação e a competição hostil prejudicarão a governação mundial da inteligência artificial”. Esta fórmula reflete a narrativa de longa data de Pequim de que a pressão externa ameaça o desenvolvimento tecnológico soberano.
Amodei alertou que uma liderança chinesa na IA poderia tornar‑se perigosa e que qualquer coordenação global eficaz exigiria cooperação com Pequim. Os seus comentários foram ecoados na imprensa ocidental, onde analistas veem o pedido dos EUA para abrandar como uma tentativa de congelar a vantagem competitiva americana.
Contexto Estratégico
A disputa surge apenas alguns dias antes de uma reunião agendada entre o ex‑presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente Xi Jinping, a 24 de setembro de 2026, onde a governação da IA deverá ser um ponto central da agenda.
- O quadro de segurança de IA de terceira geração da China cobre agora agentes autónomos, salvaguardas de cibersegurança e controlos de auto‑melhoria recursiva.
- Um registo nacional de algoritmos está em vigor desde 2022, registando especificações dos modelos e contextos de implementação.
- As regulamentações de 2026 visam especificamente a dependência emocional de bots de companhia IA, exigindo divulgação clara dos limites de interação sintética.
- Subsídios estatais continuam a apoiar a produção doméstica de hardware de IA, conferindo às empresas chinesas uma vantagem fiscal sobre concorrentes estrangeiros.
Implementação Doméstica
As empresas chinesas beneficiam de incentivos económicos para adotar IA, embora um especialista citado no relatório da ABC News observe que realizam menos avaliações voluntárias de segurança do que as suas contrapartes americanas.
O novo quadro também obriga auditorias regulares de sistemas de IA que podem modificar o próprio código, uma medida concebida para prevenir cenários fora de controlo ao mesmo tempo que incentiva a inovação rápida.
Críticos argumentam que a ênfase na segurança pode ser apenas um véu para consolidar o controlo estatal sobre fluxos de dados e decisões algorítmicas, sobretudo à medida que o registo amplia o seu âmbito.
No entanto, Pequim apresenta as medidas como uma abordagem responsável que equilibra abertura com salvaguardas, posicionando a China como um regulador proativo e não como um desafiante imprudente.
Repercussões Internacionais
Os aliados ocidentais têm expressado preocupação sobre a falta de transparência nas avaliações de risco chinesas, temendo que padrões menos rigorosos possam criar disparidades competitivas.
Nos fóruns multilaterais, a proposta de um regime de IA global ainda enfrenta divergências, com a China a defender a soberania tecnológica e os EUA a insistir em mecanismos de verificação mais estritos.
Alguns países europeus, incluindo Portugal, estão a monitorizar de perto estas dinâmicas para ajustar as suas próprias políticas de exportação de hardware e de colaboração em investigação.
Impacto para Portugal
Para as organizações portuguesas, o impacto imediato é duplo: precisam navegar num mercado chinês de IA mais opaco, onde é improvável que os controlos de exportação se estreitem, e monitorizar as regras de segurança em evolução de Pequim, que podem afetar colaborações transfronteiriças, acordos de partilha de dados e requisitos de conformidade em joint‑ventures.
As empresas de tecnologia em Portugal devem reforçar os seus processos de due diligence, avaliando não só a conformidade técnica dos parceiros chineses, mas também a aderência às normas de privacidade europeias e aos princípios de ética algorítmica.
Em suma, a recusa chinesa de abrandar a IA, aliada ao reforço do seu quadro de segurança, cria um cenário onde a competição tecnológica se intensifica e a cooperação internacional passa a depender de acordos bilaterais cuidadosamente negociados.
Fontes
- Why China is pushing back on US warnings over rapid AI developmentThe Guardian · 20 de setembro de 2026
- Beijing hits back at Anthropic CEO's call to curb China's AI developmentABC News · 14 de setembro de 2026



