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Anthropic descobre sistema enzimático ART similar ao CRISPR

A Anthropic anunciou que o seu modelo Claude identificou um novo sistema enzimático denominado ART, com sequências de ADN repetidas semelhantes ao CRISPR.

A redação nullbotPublicado a 24 de setembro de 20265 min de leituraFontes (3)
Cinco cientistas de bata branca de laboratório estão à volta de uma bancada num laboratório biomédico.
Oloyedegk · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

A empresa de inteligência artificial Anthropic anunciou a descoberta de um mecanismo biológico até agora não caracterizado, designado por transcriptases reversas associadas a matrizes, ou ART (Array-associated Reverse Transcriptases). Revelado através de análises computacionais coordenadas pelo modelo de inteligência artificial Claude da empresa e subsequentemente validado no seu laboratório experimental na área da Baía de São Francisco, o sistema apresenta semelhanças estruturais notáveis com o CRISPR, o mecanismo natural de defesa viral amplamente adaptado pela ciência moderna para a edição genómica de precisão. Este anúncio constitui a primeira produção científica pública do grupo dedicado à investigação em ciências da vida da Anthropic, estabelecido na primavera de 2026 com o propósito declarado de explorar a biologia fundamental e acelerar os canais de descoberta biomédica.

De acordo com os pormenores técnicos partilhados pela organização, a descoberta foi concretizada através da implementação de fluxos de trabalho autónomos de inteligência artificial concebidos para examinar minuciosamente vastas bases de dados públicas de sequências genómicas. Em vez de operar unicamente como um assistente de escrita de código informático ou uma ferramenta de sintetização de literatura científica, o Claude desempenhou o papel de um agente exploratório autónomo: analisou material genético desprovido de anotações prévias, formulou hipóteses inovadoras relativas a famílias de proteínas não caracterizadas e isolou anomalias biológicas específicas para que fossem submetidas a validação experimental por cientistas humanos.

Uma triagem computacional impulsionada por 950 agentes de IA

O processo de triagem computacional baseou-se em aproximadamente 950 agentes Claude a operar em paralelo, processando cerca de 210 milhões de tokens ao longo de um período contínuo de 21 horas. Os investigadores da Anthropic deram início ao projeto instruindo o modelo a analisar extensas bases de dados de sequências em busca de novas transcriptases reversas — enzimas especializadas na transcrição de ARN em ADN, as quais desempenham frequentemente funções determinantes nos mecanismos de defesa microbiana. O sistema de agentes recolheu e catalogou mais de 200.000 transcriptases reversas, selecionou 3.500 sistemas candidatos promissores e reduziu a triagem aos 20 alvos mais convincentes, gerando automaticamente relatórios detalhados e compreensíveis para análise humana relativamente a cada um deles.

Durante este procedimento analítico, um dos agentes identificou uma transcriptase reversa invulgar inserida no genoma de um bacteriófago gigante (jumbo bacteriophage), uma categoria particular de vírus de grandes dimensões que infeta bactérias. Embora a existência desta enzima específica já tivesse sido previamente registada em bases de dados académicas, o Claude conseguiu detetar uma matriz adjacente composta por repetições de ADN não codificantes, uniformemente espaçadas em tandem, a par de um gene parceiro que codifica uma proteína acessória de função ainda desconhecida. Esta disposição arquitetónica espelha diretamente a configuração das matrizes CRISPR, que armazenam sequências genéticas utilizadas por enzimas bacterianas para reconhecer e clivar alvos moleculares definidos.

Este é um exemplo empolgante de como os agentes de IA podem contribuir para a descoberta biológica. A identificação de matrizes de repetições de ARN associadas a transcriptases reversas é genuinamente intrigante e merece uma investigação mais aprofundada. Espero que este trabalho encoraje mais cientistas a explorar de que forma a IA pode apoiar a sua investigação.

Feng Zhang, professor no MIT e no Broad Institute

O que foi verificado em laboratório e o que permanece por provar

A Anthropic sublinhou expressamente que a intervenção humana se manteve indispensável ao longo de todo o ciclo de investigação. Enquanto o Claude formulava hipóteses teóricas e executava a mineração genómica digital, as experiências físicas em laboratório foram conduzidas integralmente por investigadores humanos. Operando sob protocolos rigorosos de contenção de Nível de Biossegurança 1 (BSL-1) e Nível de Biossegurança 2 (BSL-2), sem qualquer manipulação de agentes patogénicos humanos, a equipa laboratorial expressou as proteínas em estirpes bacterianas laboratoriais padronizadas e realizou a caracterização bioquímica e estrutural inicial.

  • Estrutura identificada: O sistema ART é composto por uma transcriptase reversa, uma proteína acessória adjacente e uma matriz de sequências de ADN repetidas não codificantes e regularmente espaçadas.
  • Origem confirmada: O arranjo genético está situado dentro dos genomas de bacteriófagos e não nos organismos celulares hospedeiros.
  • Função biológica desconhecida: Os investigadores ainda não determinaram a função primária natural do ART durante os ciclos de infeção dos fagos.
  • Utilidade prática incerta: Permanece por demonstrar se o sistema ART pode ser convertido numa ferramenta molecular programável para edição genética ou aplicações biotecnológicas comparáveis ao CRISPR.

O diretor executivo da Anthropic, Dario Amodei, reconheceu publicamente nas redes sociais que esta descoberta assentou sobre pilares de ciência aberta preexistentes, salientando que investigadores da Universidade de Stanford tinham anteriormente identificado um sistema com características semelhantes ao que foi analisado pelo Claude. Vários esforços académicos mais amplos, incluindo a geração computacional de enzimas na Universidade da Califórnia em São Francisco e a previsão da estrutura de proteínas através do sistema AlphaFold da Google, refletem uma expansão generalizada da aplicação da aprendizagem automática à biologia molecular moderna.

Implicações para a biotecnologia e fluxos de investigação

A divulgação antecipada destes resultados científicos, acompanhada pela publicação de uma pré-impressão (preprint), visa demonstrar o alcance prático e empírico do Claude no momento em que a Anthropic expande a sua atividade para a descoberta de fármacos e prepara uma eventual oferta pública inicial (IPO). Contudo, apesar das comparações imediatas com a tecnologia CRISPR, será imperativa uma validação independente e aprofundada por parte da comunidade científica internacional para confirmar se o sistema ART possui efetivamente propriedades catalíticas viáveis para aplicação na biologia sintética, em métodos de diagnóstico molecular ou em intervenções terapêuticas.

Para as empresas do setor das ciências da vida e instituições de investigação académica, este avanço estabelece um modelo viável para a integração de agentes baseados em grandes modelos de linguagem (LLM) nas etapas preliminares da bioinformática. Ao delegar a triagem de volumes maciços de dados, a mineração genómica comparativa e a formulação inicial de hipóteses a redes de modelos autónomos, as organizações podem encurtar ciclos de rastreio de vários meses para escassos dias. Não obstante, a obtenção de resultados tangíveis continuará a depender de uma infraestrutura laboratorial robusta, controlos estritos de biossegurança e uma supervisão humana crítica para validar as hipóteses geradas computacionalmente antes do investimento de recursos clínicos e operacionais significativos.

Fontes

  1. Anthropic says its biology lab has already found something bigTechCrunch · 23 de setembro de 2026
  2. Anthropic’s biolab made a discovery it’s comparing to CrisprThe Verge · 23 de setembro de 2026
  3. Claude discovers a novel enzyme systemAnthropic · 23 de setembro de 2026

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