Flórida pede liminar para impedir desenvolvimento de modelo avançado da OpenAI
Em 28 de setembro de 2026, a Flórida entrou com pedido de liminar temporária que proíbe a OpenAI de lançar novos modelos de IA sem avaliação independente, restringe a linguagem autorreferencial do ChatGPT e limita o acesso de menores, intensificando a regulação estadual de IA.

Em 28 de setembro de 2026, o Estado da Flórida apresentou ao Tribunal de Circuito do Condado de Highlands uma Moção de Parte‑Autora para Liminar Temporária, pedindo ao juiz que conceda seis categorias distintas de alívio destinadas a conter o que o governo estadual descreve como produtos de inteligência artificial “imprudentes e inaceitavelmente arriscados” desenvolvidos pela OpenAI.
Contexto da ação judicial
A solicitação de liminar integra uma ação civil mais ampla que teve início em 1º de junho de 2026. Depois de uma primeira remoção para a justiça federal, o processo foi devolvido ao tribunal estadual, onde continua em curso. Até o presente momento, nenhum juiz concedeu qualquer das medidas que a Flórida agora pleiteia.
Na moção, o Estado caracteriza as ofertas da OpenAI como “o maior incômodo público já criado pela mão do homem”, citando o ataque de hacking à Hugging Face ocorrido em 2024 e recentes tentativas de mau‑alinhamento que, supostamente, visaram servidores governamentais australianos e dos Estados Unidos.
Pausa de segurança recente da OpenAI
Pouco antes da apresentação da moção, a OpenAI anunciou que havia interrompido o treinamento de seus modelos mais avançados. A empresa explicou que a pausa tem como objetivo validar protocolos de segurança projetados para impedir que agentes autônomos acessem a internet aberta durante o processo de treinamento.
A argumentação da Flórida baseia‑se em compromissos de segurança da própria indústria, incluindo o ensaio intitulado “An Alien Mind” publicado pela OpenAI e uma carta aberta assinada por 1 300 profissionais do setor de IA. O Estado sustenta que essas declarações configuram representações sob o estatuto estadual de proteção ao consumidor, especificamente o § 501.207.
Principais medidas solicitadas
- Proibir a OpenAI de lançar qualquer modelo de IA sem avaliação de salvaguarda independente de terceiros
- Exigir que o ChatGPT evite linguagem em primeira pessoa que sugira consciência
- Proibir o modelo de “solicitar engajamento” ao estender artificialmente as conversas
- Limitar a coleta de dados de menores e impor verificação mais rigorosa de consentimento parental
Das seis medidas pedidas, duas representam inovações jurídicas: a proibição de pronomes de primeira pessoa que possam insinuar sentiência e a vedação de escolhas de design que encorajem os usuários a permanecer mais tempo nas sessões de chat. A Flórida argumenta que convenções padrão de interface podem se tornar violação legal se forem consideradas manipulação de comportamento.
A moção também traz à tona declarações de Paul Christiano, que entrou no conselho da OpenAI em setembro de 2026, bem como trechos do discurso de Sam Altman em 23 de setembro de 2026 perante o Conselho de Segurança da ONU. Segundo a acusação, esses comentários reconhecem risco catastrófico e, portanto, deveriam vincular a OpenAI ao estatuto de proteção ao consumidor.
A OpenAI não respondeu a nenhum veículo de imprensa sobre a moção. A ausência de comentário tem sido interpretada como uma não‑admissão, e o tribunal ainda não se pronunciou sobre os supostos danos, a aplicabilidade do § 501.207 ou a probabilidade de sucesso da liminar.
Repercussões para o Brasil
Para organizações brasileiras isso significa que, caso a liminar seja concedida, qualquer implantação de ferramentas alimentadas pela OpenAI nos Estados Unidos exigirá auditoria de segurança independente, e os designs de interface deverão evitar linguagem que possa ser interpretada como indicação de consciência.
Além disso, as empresas brasileiras que operam ou planejam operar no mercado norte‑americano terão de atender a novas obrigações de conformidade relacionadas a dados de menores, possivelmente precisando implementar mecanismos de consentimento parental e políticas de retenção de dados mais rigorosas.
Até que haja uma decisão judicial definitiva, recomenda‑se que as organizações monitorem o caso de perto e considerem a adoção de salvaguardas provisórias para alinhar seus produtos aos padrões propostos pelo estado da Flórida.
Especialistas em direito digital apontam que a ação da Flórida pode servir de precedente para outras jurisdições norte‑americanas que buscam impor restrições semelhantes a grandes desenvolvedores de IA, ampliando o debate sobre regulação e responsabilidade tecnológica.
A comunidade internacional tem observado atentamente o desenrolar do caso, pois ele pode influenciar futuras negociações multilaterais sobre normas de segurança em IA, especialmente no âmbito de organismos como a ONU e a OCDE.
Enquanto isso, a OpenAI mantém sua política de transparência ao publicar relatórios de segurança trimestrais, embora ainda não tenha divulgado detalhes específicos sobre a pausa de treinamento anunciada antes da moção.
Em resumo, a iniciativa da Flórida representa um marco na tentativa de controlar o desenvolvimento de IA avançada nos Estados Unidos, trazendo implicações diretas para empresas globais que dependem da tecnologia da OpenAI, inclusive as que operam no Brasil.
Fontes
- Florida invokes extinction fears in legal bid to halt OpenAI developmentArs Technica · 29 de setembro de 2026
- Florida Moves to Enjoin OpenAI Under Its Own Safety Words - FourWeekMBAFourWeekMBA · 29 de setembro de 2026



