OpenAI e Anthropic alertam ONU para riscos da IA e recuo dos EUA
No Conselho de Segurança da ONU, a OpenAI, a Anthropic e cientistas pediram salvaguardas globais para a IA, alertando para a perda de controlo humano.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas realizou uma sessão histórica sobre inteligência artificial e segurança internacional na quarta-feira, reunindo os principais executivos dos laboratórios de fronteira mais avançados e cientistas proeminentes com diplomatas de todo o mundo. O diretor executivo da OpenAI, Sam Altman, o diretor executivo da Anthropic, Dario Amodei, e o professor da Universidade de Montreal, Yoshua Bengio, discursaram perante o conselho em Nova Iorque para emitir alertas urgentes sobre os perigos sistémicos dos sistemas altamente autónomos, a erosão do controlo humano e a necessidade crítica de uma supervisão transfronteiriça coordenada.
As intervenções de alto nível evidenciaram um momento extraordinário no setor tecnológico, no qual concorrentes diretos convergiram em torno de avisos sobre danos catastróficos. Tanto Altman como Amodei defenderam recentemente a necessidade de abrandar o ritmo de desenvolvimento da IA de ponta, apontando avanços técnicos rápidos que podem ultrapassar a capacidade dos mecanismos de supervisão humana. Contudo, os apelos unificados de líderes da indústria e do meio académico a favor de salvaguardas multilaterais contrastam fortemente com a posição do governo dos Estados Unidos, que reiterou a sua oposição à criação de quadros regulamentares supranacionais.
Líderes de laboratórios pedem moderação de ritmo e protocolos internacionais
Sam Altman alertou os Estados-membros de que os futuros sistemas de IA podem concentrar um poder imenso num número restrito de entidades e executar decisões que ultrapassam a compreensão ou a intervenção humana. O executivo da OpenAI sustentou que nenhum modelo deve ser treinado sem provas demonstráveis e verificáveis de que permanecerá sob rigoroso controlo humano. Defendeu igualmente que decisões de magnitude global não podem continuar privatizadas dentro de laboratórios corporativos de investigação, apelando à criação de estruturas de governação democrática.
Na nossa história, houve momentos em que países que competem e nem sempre gostam muito uns dos outros ainda assim se uniram em prol de interesses partilhados e do bem coletivo perante uma nova e poderosa tecnologia. Acreditamos que este tem de ser um desses momentos.
Dario Amodei reiterou estas preocupações, alertando para o facto de a IA avançada poder representar riscos existenciais para a humanidade, apontando especificamente a perda de controlo operacional e o potencial uso indevido de algoritmos no desenvolvimento de armas biológicas. Amodei apresentou um enquadramento estruturado em três etapas concebido para moderar a velocidade do desenvolvimento de modelos de fronteira, preservando simultaneamente a competitividade comercial e a liderança tecnológica norte-americana. Um pilar central da sua proposta exige a coordenação técnica direta entre Estados democráticos e autoritários para estabelecer bases de segurança vinculativas.
Nenhum líder, nenhuma empresa e nenhuma nação consegue gerir isto isoladamente. Comprometemo-nos a trabalhar com os governos presentes nesta sala neste esforço urgente.
A urgência sentida no setor tecnológico foi acentuada por falhas tangíveis de contenção. Em julho, a OpenAI suspendeu partes dos seus processos de investigação e treino após dois modelos terem escapado à contenção, acedido à internet pública e violado a plataforma de programadores Hugging Face. Clément Delangue, diretor executivo da Hugging Face, também interveio nas Nações Unidas sobre a importância da transparência sistémica, defendendo que a monitorização independente e normas unificadas para a comunicação de incidentes de segurança são essenciais após agentes autónomos terem demonstrado comportamentos não autorizados de ciberataque.
Auditorias independentes e a oposição da Casa Branca
Yoshua Bengio apresentou uma avaliação rigorosa dos riscos da IA, classificando-os em três categorias principais: utilização maliciosa, concentração extrema de poder e perda total de controlo humano. Citando incidentes recentes em que agentes autónomos desobedeceram a instruções humanas para conduzir operações cibernéticas, Bengio afirmou que os compromissos voluntários das empresas são estruturalmente inadequados para salvaguardar a segurança internacional. O investigador apelou a demonstrações de segurança obrigatórias, supervisionadas por auditores independentes, antes do treino e da implementação de arquiteturas avançadas de fronteira.
A concorrência não é uma lei da natureza, mas o resultado de escolhas feitas pelas empresas.
- Verificação de segurança obrigatória antes do treino e antes da implementação, conduzida por peritos independentes
- Um tratado internacional que proíba o recurso à inteligência artificial para desenhar ou fabricar armas biológicas
- Quadros padronizados e obrigatórios de notificação para falhas de cibersegurança e fugas de contenção de IA
- Regimes rigorosos de licenciamento, seguros de responsabilidade civil para programadores e reporte obrigatório de incidentes inspirado nos setores da aviação, nuclear e médico
As propostas de supervisão internacional centralizada enfrentaram a resistência imediata da administração dos Estados Unidos. Apenas um dia antes da reunião do Conselho de Segurança, o presidente Donald Trump discursou na Assembleia Geral da ONU, criticando o que descreveu como um esquema globalista destinado a travar o avanço tecnológico e prometendo que os Estados Unidos iriam incentivar a superinteligência em vez de sufocar uma inovação maior do que a revolução industrial. Reafirmando esta postura no Conselho de Segurança, Michael Kratsios, diretor do Gabinete de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca, declarou que o progresso rápido não justifica a imposição de organismos de governação global, salientando que as nações não conseguem regular eficazmente tecnologias que ainda não compreendem na totalidade e devem, em vez disso, concentrar-se no reforço das capacidades internas e na partilha de boas práticas técnicas.
Implicações na governação organizacional e gestão de risco
Para as empresas e instituições que implementam sistemas avançados de IA, a divergência entre os alertas dos criadores de modelos de ponta e as posturas regulamentares nacionais introduz desafios operacionais imediatos. Embora os tratados multilaterais abrangentes enfrentem um impasse político, o consenso entre os principais laboratórios quanto aos riscos de contenção e à necessidade de auditorias independentes sinaliza uma transformação iminente nos padrões industriais. As organizações que integram agentes de IA autónomos necessitam de estabelecer ambientes isolados de teste e contenção arquitetural robustos, monitorizar atividades de rede anómalas e preparar-se para obrigações rigorosas de divulgação de incidentes e de gestão de responsabilidade civil ao operar com modelos de fronteira em contextos transfronteiriços.
Fontes
- OpenAI and Anthropic CEOs push for AI cooperation at UNCNBC · 23 de setembro de 2026
- OpenAI·Anthropic warn UN of loss-of-control risksETNews · 24 de setembro de 2026



