Pentágono solicita US$ 30,3 milhões para programa de detecção de mentiras com IA Polygraph+
O Departamento de Defesa dos EUA pediu ao Congresso US$ 30,3 milhões em cinco anos para desenvolver o Polygraph+, um detector de mentiras sem contato baseado em IA, apesar de a comunidade científica ainda questionar sua confiabilidade.

O pedido de orçamento do Departamento de Defesa, apresentado para o exercício fiscal de 2027, solicita US$ 30,3 milhões para financiar o desenvolvimento do Polygraph+, também conhecido como Polygraph Next, ao longo de um período de cinco anos. A proposta ainda aguarda aprovação do Congresso.
O programa seria gerido pela Defense Counterintelligence and Security Agency (DCSA), já responsável pela verificação de antecedentes e detecção de ameaças internas entre os cerca de 2,8 milhões de civis e militares que compõem a força‑trabalho do Pentágono.
Como o Polygraph+ deveria operar
De acordo com o documento orçamentário, o Polygraph+ combinará pontuações de credibilidade geradas por aprendizado de máquina com “sensoriamento à distância”, que coleta sinais fisiológicos sem a necessidade de sensores presos ao sujeito. O conjunto exato de sensores e a arquitetura do sistema não foram divulgados no pedido.
Protótipos anteriores do Pentágono utilizavam análise baseada em câmeras para estimar frequência cardíaca e respiratória, monitorar movimentos da cabeça, temperatura facial e até a atividade dos poros. Esses projetos iniciais não foram confirmados como parte do novo sistema.
Ceticismo científico
Uma revisão do National Research Council de 2003 já classificou as evidências científicas sobre a eficácia do polígrafo tradicional como “fracas, na melhor das hipóteses”. Pesquisadores contemporâneos acrescentam que o estresse não tem uma relação universal de um‑para‑um com a mentira, e que os dados de treinamento para modelos de IA frequentemente carecem de rótulos de verdade confiáveis.
Mesmo que o programa alcance a faixa de precisão anunciada de 80 % a 94 %, aplicar essa taxa a uma força‑trabalho de 2,8 milhões ainda geraria um número considerável de falsos positivos, potencialmente rotulando funcionários inocentes como riscos de segurança.
Questões ainda não resolvidas
- Sensores adicionais realmente aumentam a precisão da detecção ou apenas adicionam camadas de confiança algorítmica a um sinal fundamentalmente pouco confiável?
- Os modelos de IA podem ser treinados com dados que distinguam de forma confiável a mentira de outros fatores de estresse?
- Que salvaguardas serão implementadas para impedir o uso indevido de resultados falsos‑positivos?
- Como a DCSA validará o sistema antes de implantá‑lo em toda a força‑trabalho de defesa?
O debate técnico central gira em torno de saber se sensores mais sofisticados e IA podem superar as limitações inerentes identificadas por décadas de pesquisa sobre polígrafo, ou se apenas mascaram a incerteza com métricas de alta resolução.
Tanto a MIT Technology Review quanto a Superpower Daily noticiaram o pedido em 25 de setembro de 2026, destacando que o Congresso ainda não havia aprovado o financiamento e que as bases científicas do programa permanecem contestadas.
Se aprovado, o programa representaria um investimento significativo em ferramentas automatizadas de avaliação de credibilidade, podendo transformar a forma como o Pentágono realiza verificações de antecedentes, monitoramento contínuo e mitigação de ameaças internas.
Para uma organização que opere em português, o impacto prático seria uma transição para processos de triagem mediados por IA que prometem avaliações mais rápidas e sem contato, mas também trazem novos desafios legais e éticos relacionados à privacidade, ao devido processo e à confiabilidade de detectores de mentira automatizados.
Implicações estratégicas
A adoção de um detector de mentiras baseado em IA poderia alterar a dinâmica de confiança dentro das cadeias de comando, ao introduzir um mecanismo de avaliação quase instantâneo que, se percebido como preciso, poderia ser usado para acelerar decisões críticas em ambientes de alta pressão, ao mesmo tempo em que cria um risco de dependência excessiva de tecnologias ainda não validadas plenamente.
No contexto brasileiro, a iniciativa do Pentágono levanta questões sobre a viabilidade de projetos semelhantes em nossas Forças Armadas, onde debates sobre privacidade, direitos trabalhistas e a eficácia de tecnologias de monitoramento são igualmente intensos, indicando que qualquer adoção futura exigirá um amplo diálogo com a sociedade e a comunidade científica nacional.
Fontes
- The Pentagon wants $30 million to build an AI-powered lie detectorMIT Technology Review · 25 de setembro de 2026
- Pentagon Seeks $30.3 Million for AI Lie-Detection Program Despite Reliability ConcernsSuperpower Daily · 25 de setembro de 2026



