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Austrália pressiona botão de desligar algoritmo apesar de críticas dos EUA

Austrália pretende exigir que plataformas sociais ofereçam opção entre feeds algorítmicos e cronológicos, com multas acima de 100 milhões de dólares australianos e críticas diplomáticas dos EUA sobre definições vagas de dano.

A redação nullbotPublicado em 23 de setembro de 20263 min de leituraFontes (2)
A câmara da Câmara dos Representantes da Austrália em Canberra.
JJ Harrison ( https://www.jjharrison.com.au/ ) · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons

O governo da Austrália está desenvolvendo um chamado Dever Digital de Cuidado, que exigiria das plataformas de redes sociais a disponibilização permanente de uma opção para que os usuários desativem o feed algorítmico e passem a visualizar as postagens em ordem cronológica, exatamente como foram publicadas pelas contas que seguem.

Escopo do dever proposto

Além da funcionalidade de desligamento, a proposta normativa prevê que as plataformas tenham a obrigação de identificar, sinalizar e mitigar conteúdos que possam ser nocivos, com especial atenção para materiais que atinjam menores de 18 anos, como pressão sobre a imagem corporal, cyberbullying e outras formas de assédio digital.

O Comissário de eSafety, em conjunto com pesquisadores credenciados, teria autoridade para conduzir testes usando perfis simulados de menores, comparando a experiência nos feeds algorítmico e cronológico, a fim de gerar dados que orientem políticas de redução de risco mais eficazes.

Sanções financeiras e mecanismos de aplicação

De acordo com a ABC News, o descumprimento das novas regras pode acarretar multas que ultrapassam a marca de 100 milhões de dólares australianos por infração, demonstrando a intenção do governo de impor uma postura regulatória rigorosa sobre os gigantes tecnológicos que operam no país.

  • Alternativa obrigatória de desligar algoritmo para todos os usuários
  • Testes regulares com perfis simulados de menores
  • Obrigação de avaliar e reduzir conteúdo nocivo
  • Multas que podem ultrapassar 100 milhões de dólares por infração

O Tesouro australiano indica que essas penalidades foram concebidas como um forte efeito dissuasor, forçando as empresas a investir em sistemas de moderação de conteúdo robustos, em vez de depender de iniciativas voluntárias que muitas vezes se mostram insuficientes.

Reação diplomática dos Estados Unidos

A Embaixada dos EUA em Canberra advertiu que as definições vagas de "dano" presentes no texto da proposta podem levar a um excesso de censura, silenciando opiniões que não estejam alinhadas com os padrões aprovados pelo governo australiano.

Representantes americanos também expressaram preocupação de que exigências de design possam diminuir o alcance de jornalistas independentes, já que as plataformas poderiam, preventivamente, limitar conteúdos considerados controversos para evitar sanções onerosas.

Impactos potenciais para outras jurisdições

Especialistas apontam que a abordagem australiana pode estabelecer um precedente para outras nações, desencadeando um efeito cascata de pressões regulatórias que ultrapassem fronteiras e mudem o panorama global de moderação de conteúdo digital.

O primeiro-ministro Anthony Albanese defendeu que a legislação tem como objetivo devolver ao cidadão o controle sobre o que vê nas redes, e não centralizar esse poder no Estado, reforçando a ideia de autonomia pessoal na curadoria dos feeds.

No entanto, o texto ainda está em fase de debate; questões como a definição exata de conteúdo nocivo, o alcance preciso da exigência de desligamento e o calendário para votação no parlamento permanecem abertas e sujeitas a ajustes.

Para organizações brasileiras, o cenário traz duas demandas claras: primeiro, será necessário auditar suas próprias plataformas para garantir que a funcionalidade de desligamento do algoritmo esteja disponível e em conformidade com os requisitos australianos; segundo, deverão preparar-se para possíveis auditorias conduzidas pelos oficiais de eSafety, revisando políticas internas de moderação para atender aos novos padrões de redução de risco.

Essas auditorias poderão incluir a verificação de mecanismos de detecção automática, relatórios de transparência e processos de revisão humana, de modo a evitar multas elevadas e preservar a liberdade editorial das empresas brasileiras que operam no mercado australiano.

Além disso, o debate público na Austrália tem gerado discussões intensas sobre o equilíbrio entre proteção de menores e liberdade de expressão, refletindo tensões semelhantes que já se manifestam em outros países da América Latina.

Observadores apontam que a pressão diplomática dos EUA pode influenciar a redação final da lei, especialmente no que tange à clareza das definições de dano e ao escopo das sanções, buscando evitar conflitos comerciais e de direitos digitais entre as duas nações.

Em última análise, a proposta australiana representa um experimento regulatório de grande relevância internacional, cujo desfecho poderá moldar futuros modelos de governança digital em todo o mundo, inclusive no Brasil, onde debates semelhantes sobre algoritmos e transparência já ganham força.

Fontes

  1. US criticises Australia's proposed algorithm opt-out laws as censorshipBBC News · 23 de setembro de 2026
  2. Opt-out laws for social media algorithms to be introduced to parliamentABC News · 6 de setembro de 2026

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