Universidade de Manchester usa NVIDIA Earth‑2 para prever a poluição do ar no Reino Unido
Pesquisadores da Universidade de Manchester, em parceria com a NVIDIA, adaptaram os modelos generativos Earth‑2 CorrDiff e StormCast para gerar previsões de qualidade do ar com resolução de 2 a 3 km, usando o supercomputador Isambard‑AI.

A iniciativa coordenada por David Topping e Hao Zhang reúne expertise avançada em ciência climática com a potência de processamento das GPUs mais recentes. O objetivo central é desenvolver um protótipo capaz de antecipar picos de poluentes atmosféricos, oferecendo informações acionáveis tanto para a saúde pública quanto para a formulação de políticas ambientais. Essa combinação de conhecimento especializado e infraestrutura de ponta permite criar previsões que vão além dos modelos tradicionais, ao mesmo tempo em que mantém a agilidade necessária para responder a mudanças rápidas nas condições atmosféricas.
Dados de treinamento e resolução espacial
Para treinar os modelos, a equipe utilizou um ano completo de simulações químico‑climáticas produzidas para o Reino Unido, com dados disponibilizados em intervalos horários. Essa densidade temporal fornece uma base rica que, ao ser processada, gera previsões com resolução espacial entre dois e três quilômetros. Tal nível de detalhe é suficiente para distinguir áreas urbanas com alta vulnerabilidade, bem como regiões costeiras onde a ventilação atmosférica pode mudar de forma abrupta, influenciando a dispersão dos poluentes.
Infraestrutura de computação
O módulo CorrDiff foi treinado em apenas dois dias, graças ao uso de um nó único composto por oito GPUs do cluster Isambard‑AI, localizado em Bristol. Esse cluster agrega 5 448 superchips GH200, entregando cerca de 21 exaflops de capacidade dedicada à inteligência artificial. Para a fase de inferência em tempo real e para ajustes finos nos modelos, a equipe recorre ao DGX Spark, equipado com a GPU Grace Blackwell GB10, que oferece latência reduzida e alto throughput para operações de previsão contínua.
Funcionalidades do StormCast
O componente StormCast adiciona ao sistema a capacidade de gerar previsões dependentes das condições meteorológicas, incorporando observações de qualidade do ar em tempo real. Essa integração permite que o modelo ajuste suas estimativas conforme variáveis como vento, temperatura e umidade evoluem, resultando em alertas mais precisos e contextualizados.
- Alertas antecipados para pacientes com asma ou doenças respiratórias.
- Simulações de impacto de políticas públicas de redução de emissões.
- Integração de dados de sensores de baixa custo em áreas periféricas.
- Apoio à gestão de incêndios florestais por meio de estimativas de fumaça.
Perspectivas de abertura e aprimoramento
A equipe tem a intenção de tornar públicos os conjuntos de dados de treinamento, bem como os fluxos de trabalho que foram empregados, facilitando a replicação por outras instituições de pesquisa. Além disso, há planos ambiciosos para aumentar a resolução das previsões para a escala de rua, incorporando fontes abertas adicionais, como redes de sensores comunitários, que podem enriquecer ainda mais a granularidade das informações geradas.
Avaliação de riscos e governança
Estudos recentes apontam que a poluição do ar foi responsável por cerca de trinta mil mortes no Reino Unido em 2025, gerando custos superiores a vinte e sete bilhões de libras por ano. Esse cenário evidencia a necessidade de validar os modelos de forma independente, monitorar continuamente a deriva dos dados, garantir a disponibilidade de observações locais e estabelecer estruturas de governança transparentes antes de qualquer implantação operacional em larga escala.
Implicações para o setor empresarial e institucional brasileiro
Empresas e instituições brasileiras que atuam nas áreas de saúde pública, planejamento urbano ou energia podem se inspirar nesse protótipo. A capacidade de combinar grandes volumes de dados climáticos com IA de alta performance abre caminho para sistemas de alerta precoce, otimização de redes de transporte e avaliação de impactos ambientais em projetos de infraestrutura. A adoção de práticas de código aberto e a colaboração internacional, como demonstrado pela Universidade de Manchester, podem acelerar a implementação de soluções locais adaptadas às especificidades do Brasil.
O que as organizações brasileiras devem verificar
Antes de integrar esse tipo de modelo em operações cotidianas, as organizações brasileiras precisam assegurar a qualidade e a representatividade dos dados de entrada, validar os resultados contra medições locais, estabelecer protocolos claros de atualização dos modelos e definir responsabilidades de governança que garantam transparência e responsabilidade social.
Fontes
- University of Manchester Uses NVIDIA Earth-2 to Forecast Air Pollution Across the UKNVIDIA Blog · 15 de setembro de 2026
- Air pollution linked to 30,000 UK deaths in 2025 and costs the economy and NHS billionsRoyal College of Physicians · 19 de junho de 2025



